Crônica de uma morte anunciada
Talvez, caro leitor, o que vou escrever aqui se aplique ao seu vizinho, à sua família e a você mesmo. O tempo de anomia chegou em nosso Brasil e algo precisa ser feito para que a situação de normalidade volte a imperar. É preciso restabelecer a ordem pública, sob pena de cada um de nós ser a próxima vítima na mão dos celerados, de vermos ceifadas as vidas dos nossos entes mais queridos.
Comparo a morte do jornalista Tim Lopes à de Celso Daniel, por vários motivos: a brutalidade, a surpresa, a estupidez, a desfaçatez com que agiram os criminosos, a ausência do Estado agindo preventivamente e a notoriedade dos personagens. Pessoas com a exposição pública que eram servem de termômetro para dar o grau de medida do terror em que estão metidos os cidadãos ditos comuns desse País.
Em ambos os casos verificaram-se tortura e execução sumária, as mais cruéis. Nem porcos são submetidos a tratamento tão impiedoso. Pessoas com esse nível de periculosidade e falta de escrúpulos não poderiam estar soltas nas ruas e o seu combate deveria se tornar uma questão de segurança nacional, posto que as tragédias, que se repetem em todas as cidades importantes, ganharam dimensão epidêmica.
Quem são os culpados por essas mortes? Abstraindo da responsabilidade direta os delinquentes, eu considero culpados todos aqueles que, defendo uma falsa política de direitos humanos, inflaram a defesa dos bandidos em prejuízo dos bons cidadãos. São culpados também aqueles formadores de opinião, mais das vezes jornalistas, que atacam de forma sistemática a ação policial, que busca reprimir esses monstros morais. São culpados aqueles que criam aura de heróis, mediante versos, músicas e outras formas de obras de arte feitas em honra dos bandidos. São os que aclamam malandros por serem malandros, que chamam o ladrão ao invés da polícia, os que defendem pivetes por serem espertos, os que retiram dos ombros dos bandidos a cota de responsabilidade pessoal que lhes cabe, transferindo-a para a sociedade. São culpados os políticos que comandam o Estado e as polícias, ao se deixarem guiar por uma falsa psicologia do crime e uma falsa politização da criminalidade. Definitivamente, praticar crime não é fazer a revolução. É apenas sacrificar boas pessoas no altar satânico da estupidez e da impiedade de indivíduos moralmente inferiores.
São culpados também aqueles sacerdotes de todas as religiões, que confundem piedade e redenção com licença para a prática do crime, perdoando-os antecipadamente em nome de uma visão religiosa distorcida, que faz apenas a apologia da luta de classes. Esses sacerdotes são tão culpados quanto a mão que empunhou a espada e ceifou a vida de Tim Lopes.
Chega de hipocrisia e estupidez! Quantos Tims e Celsos terão que perecer para que se faça a coisa certa?
NIVALDO CORDEIRO, é economista e mestre em Administração de Empresas pela FGV- SP
Caro Editor:
Aproveito esse espaço democrático para enviar esta carta ao prefeito e à população de Andirá, a propósito de nota que saiu na Folha. Que razões levaram o prefeito de Andirá, Carlos Kanegusuku, a se filiar ao PDT? Caneco, como é conhecido na cidade, elegeu-se prefeito graças ao PPS. Aliás, melhor dizendo, graças ao esforço pessoal e político do presidente do PPS, deputado Rubens Bueno.
Caneco estava afastado da política. Nem estava vivendo em Andirá, morava no Japão. Em bom português: estava morto politicamente. Ainda assim o PPS apostou na sua eleição e providenciou sua candidatura, além de apoiar sua campanha. O partido carregou sua candidatura nas costas, graças ao trabalho de alguns poucos idealistas de Andirá. Caneco não tinha o apoio de nenhum dos figurões da cidade. Pois nós marchamos com sua candidatura contra enfrentando a máquina da prefeitura, colocada a serviço do candidato oficial, e contra o poder econômico.
Um mês atrás os dirigentes do PPS estiveram em Cornélio Procópio com lideranças da região para discutir o projeto Fala Paraná, entrevista que o partido está fazendo com a população pra elaborar seu plano de governo. Caneco lá esteve e, na frente de todo mundo, reiterou seu apoio ao partido. Com a maior cara de pau, típica dos traidores, fez juras de amor ao partido, reafirmando sua fidelidade. Pois não é que agora ele anuncia sua filiação ao PDT? Terá se vendido? Essa é a pergunta que não quer calar na boca dos moradores da nossa Andirá.
HENRIQUE CARVALHO, de Andirá.





