Críticas de Arns e uma necessária fiscalização
Os governos ditatoriais de direita ou de esquerda, estribados no poder militar (e eles podem ser ditadores mesmo sem esse apoio), são diferentes em ideologias mas muito semelhantes no anseio de impor a dominação do Estado. O atual governo não esconde a busca desse domínio e chegou a lançar balões de ensaio para um terceiro mandato consecutivo do atual Presidente. Está mais ou menos nesse diapasão - quanto a sintomas ditatoriais - a posição pública do senador petista Flávio Arns, do Paraná, ao acusar setores da administração federal de ''querer estatizar tudo''.
Sobrinho de Zilda Arns (a grande mentora da Pastoral da Criança) e ligado a organizações filantrópicas como as associações de pais e amigos dos excepcionais, o senador - em entrevista a este Jornal - declara-se insatisfeito com a política do Governo Lula para este que é denominado terceiro setor.
Houve irregularidades com ONGs da filantropia, o que desencadeou uma investigação da Polícia Federal, mas Arns alega que houve exigências burocráticas descabidas por parte do Governo com relação às APAEs. Ele diz que isto é um desprestígio para quem é sério e com toda a documentação e relatórios em ordem. E condena que em vários níveis do governo federal existe a ideia da estatização, ou seja, que ''tudo tem de ser público e que não sendo público não é bom''. Tomando-se por base outros exemplos de má gestão, conclui-se como acertadas as palavras de Arns (que é um homem do sistema) de que ''o poder público não tem vocação, talento e estrutura para cuidar de um serviço como a Pastoral da Criança''. Ele afirma já haver conversado com o presidente Lula sobre isto e insiste que no núcleo governamental palaciano ''há forte ideal enrustido de estatização''. Referindo-se a instituições como as APAEs, ressalta que elas não pertencem à iniciativa privada e sim à sociedade. ''Chamar tudo isto - a gestão do setor das entidades filantrópicas - para Brasília, como quer o Governo, está na contramão da história'' - protesta o senador.
O desabafo de Flávio Arns não invalida que se implante a moralidade na questão das organizações não-governamentais que auferem de boas somas de dinheiro mas têm cometido irregularidades, daí o termo pejorativo de ''pilantropia'' gerado depois de muitas denúncias e da denominada ''Operação Fariseu'', da Polícia Federal.
®MDBO¯®MDNM¯





