Critério justo para as empresas
A média empresa paranaense enfrenta um demorado e penoso período de falta de apoio governamental, enquanto as grandes companhias de fora e as montadoras desfrutam de polpudos incentivos fiscais. Nem linhas de crédito e muito menos isenções esse segmento da economia dispõe, conforme mostra reportagem na página 8 deste caderno.
Prova disso é que cerca de 30 mil dessas empresas travam, neste momento, uma luta incansável na tentativa de que o governo aprove o projeto de Recuperação Fiscal (Refis) para pagamento do ICMS atrasado. O projeto recebeu sim da Assembléia Legislativa, mas o governador Jaime Lerner tratou de vetá-lo na semana passada, argumentando que sua aprovação prejudicaria os cofres públicos, visto que implicaria em renúncia de receita. A única justificativa mais sensata do governo foi a da injustiça com aqueles que estão em dia com as obrigações tributárias, e nisso ele tem razão.
Mas então que haja um diferente enfoque de justiça, comparando-se a geração de empregos e a arrecadação que as médias empresas paranaenses proporcionam e representam no bolo do montante estadual. Não são apenas três mil empresas. São trinta mil. Se os grandes têm privilégios, mesmo aqueles que pouco trouxeram em termos de empregos, os médios necessitam de um critério. Que seja aquele que beneficie não só o empresário, mas também os trabalhadores que dependem deles.
Walter Ogama





