CRISE NA CÂMARA - Hora de refletir para renovar
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Quanto mais tempo um grupo político fica no poder, mais fácil se torna ''pilhar'' os recursos públicos. Neste ano de eleições, é hora de renovar os quadros e oxigenar a classe política. Esta é, em suma, a visão do presidente do Sindicato das Empresas de Assessoria, Auditoria, Contabilidade e Perícia de Londrina e Região (Sescap), José Joaquim Martins Ribeiro. Nesta entrevista, ele também elogia a atuação da promotoria pública no escândalo da Câmara.
Como o senhor avalia nosso momento político?
Muito difícil, especialmente porque já temos problemas de ordem política há alguns ''janeiros''. É um momento ruim, porém tem seus aspectos positivos, porque a sociedade está discutindo a situação. E ainda porque esse ano teremos eleição, então é o momento da sociedade refletir para renovar a cidade. Acredito que a reeleição é um dos grandes problemas da nossa política.
Um esquema de corrupção que funciona há muitos anos vai se ''aperfeiçoando'', não é?
Perfeitamente. Mas veja como a história é interessante. O político chega a ficar tão à vontade que peca exatamente onde não devia e acaba errando em sair de uma casa comercial com o pacote de dinheiro na mão, como aconteceu, ou fazer uma lista com os nomes... Isso é fruto da convivência de muitos anos.
Há muita crítica porque os empresários não estão sendo indiciados...
A promotoria está se baseando em documentos. Acho que se o empresário chega na Câmara com um projeto e diz: se você aprovar, eu dou X, ele está corrompendo. Mas não conheço ninguém que chegou num balcão com diheiro antecipado, o que seria um banditismo total. Por outro lado, se o empresário chega em qualquer órgão público para protocolar um pedido, não tem o projeto liberado e depois é chamado para fazer um agrado, aí acho que o empresário é vítima. Via de regra, quando o empresário vai pedir uma licença, já fez um baita investimento e o tempo é precioso para ele. Então, muitas vezes ele realmente fica refém desse processo e, na dúvida, ou na vontade de resolver o problema, acaba pagando.
Já se sabia que as coisas aconteciam assim?
Ouvir que isso acontecia na Câmara Municipal há muito tempo, todo mundo já ouviu. A certeza veio agora porque alguns vereadores foram pegos com a boca na botija, como se diz por aí.
Mas há também empresários que corrompem, não?
Em toda a profissão tem os bons e maus profissionais. Os empresários que fazem a coisa errada são minoria. Acho que as coisas no Brasil vem melhorando, mas a coisa pública não acompanha o desenvolvimento do setor privado. A área pública ainda é um elefante que precisa de alguém na frente para puxar e outro atrás para empurrar. A gestão pública é muito ruim.
Como são as auditorias no setor público?
É o Tribunal de Contas que audita. Acho que o TC avançou muito, mas é preciso reconhecer que as nomeações (de conselheiros) feitas pelo próprio governo ainda deixam certa dúvida.
Qual a lição desse escândalo?
Acho que a sociedade tem que acompanhar muito o que está acontecendo, e especialmente o trabalho dos promotores. Eles estão trabalhando com muita responsabilidade e defendendo a sociedade. Temos que nos empenhar e ajudar: se precisarem de auxílio da área contábil, estamos à disposição. Esse pessoal novo que está chegando, juízes e promotores, não tem medo de enfrentar as coisas, e, nesse País, onde há muita coisa para ser resolvida, ter medo é um grande problema.


