Nesta segunda-feira os brasileiros saberão, finalmente, o que o governo pensa da crise econômica e seus efeitos internos. Os agentes econômicos definirão que postura podem adotar, a partir da posição oficial. O assunto será tratado em reunião da Coordenação Política, às 9h30. À tarde já terão outros indicadores: saberão como as bolsas mundiais começaram a semana, após aflição de sexta-feira.
  É um fato novo. Até agora o Brasil se beneficiou de um período de pelo menos quatro anos de estabilidade na economia mundial, três dos quais de prosperidade ímpar. Se cresceu menos do que todos os outros países é porque não soube aproveitar. Mas, pelo menos, foi befejado
pelos bons ventos de um cenário quase sem precedentes.
  Por conta desse fator externo favorável, o chamado ‘‘risco Brasil’’ diminuiu; houve investimentos externos e o governo teve todas as condições para reduzir juros e ampliar prazos de financiamento.
  É ilusório achar que o Brasil está imune à crise - que se iniciou nos Estados Unidos e atingiu os países emergentes. A única blindagem que se faz aqui é para preservar chefões de escândalos políticos. Em economia a coisa é diferente.
  O presidente do Banco Central, dias atrás, tentou minimizar a extensão da crise. Errou. Agora fala-se que o Ministério da Fazenda tem pelo menos uma carta na manga, na área fiscal, que poderá ser utilizada para tentar sinalizar uma postura de austeridade diante da turbulência.
  Teme-se um recuo nos investimentos. Então é chegada a hora de o governo recorrer à gigantesca reserva de R$ 9 bilhões acumulada graças ao excesso de arrecadação de impostos. Conforme vem sendo noticiado, desde 2005, a receita tem sido dadivosa. O dinheiro brota nas paredes dos órgãos arrecadadores.
  Os superávits primários dos últimos meses vinham batendo recorde. O governo nunca escondeu a boa arrecadação, através dos números divulgados, por exemplo, pela Receira Federal, uma das portas de entrada do dinheiro.
  Se, apesar da boa arrecadação (outro dado é que o próprio governo falava, semanas atrás, em flexibilizar as metas fiscais), os investimentos não deslancharam, a equipe econômica, que se reúne hoje com o presidente Lula, poderia, pelo menos, adoar medidas para reduzir o impacto da crise.
  Outro desejo é que a variável externa não seja usada para justificar medidas de recessão que impliquem na correção das metas de crescimento já tão tímidas.

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