O período é de incertezas econômicas. Embora o cenário já indique recessão da atividade econômica, principalmente nos países considerados desenvolvidos ainda não se sabe o impacto no mercado interno. No entanto, análises já indicam para um aumento da inflação, provocado pela apreciação do dólar. E, nesse sentido, é que o governo deve agir.
Em um passado não tão distante, a inflação galopante afligia toda a classe produtiva e a população. Os salários eram corroídos pelo aumento de preços e os trabalhadores perdiam seu poder de compra diariamente. Para os empresários, não havia o controle real dos custos devido à constante variação dos preços dos insumos. O panorama atual não leva a crer que haverá uma volta, ainda que breve, desse passado. Mas é preciso permanecer vigilante.
O dólar terminou a semana cotado a R$ 1,83. No início de julho o valor era de R$ 1,60. Por enquanto, as exportações estão sendo beneficiadas, uma vez que a apreciação da moeda americana torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional. Aliás, o real mais desvalorizado frente ao dólar era demanda antiga do empresariado. No entanto, há outros riscos, principalmente devido à valorização repentina do dólar.
Os custos de dívidas firmadas em moeda estrangeira automaticamente é elevado, o que de imediato reduz a capacidade de investimento das empresas. Além disso, a incerteza com relação ao real nível de crise dificulta a tomada de decisões, principalmente com relação à compra de maquinários e insumos. Outro fator relevante, que impacta diretamente na vida dos brasileiros, é que a desvalorização do real em relação ao dólar encarece os produtos importados, pressionando a inflação. No entanto, apesar das dificuldades de traçar metas e expectativas em cenários de crise, pelo menos em um ponto os economistas concordam: haverá aumento da inflação. A meta para este ano e o próximo é de 4,5%, com tolerância até o teto de 6,5%. No entanto, estas projeções foram traçadas antes da valorização do dólar.
Certamente virão outras análises, mas é preciso austeridade - principalmente por parte do governo - para impedir um aumento muito forte da inflação.

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