A ameaça da classe médica brasileira em iniciar uma greve na semana que vem é, infelizmente, o desfecho mais do que esperado para uma semana em que decisões da presidente Dilma Rousseff (PT) vieram irritar mais ainda a categoria. A classe já vinha insatisfeita com a promessa da importação de médicos estrangeiros para atuarem no País sem a revalidação do diploma. E o clima piorou com o anúncio, na última segunda-feira, do programa ‘’Mais Médicos’’. O pacote prevê a contratação de profissionais de outros países e o serviço civil obrigatório de dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) para os formandos em Medicina.
Na quinta-feira, outra medida desagradou à classe. A presidente sancionou a Lei do Ato Médico com vetos a pontos principais do texto aprovado pelo Congresso Nacional. Foram dez vetos permitindo que outros profissionais da área de saúde formulem diagnóstico e a respectiva prescrição médica.
No Paraná, os médicos devem se reunir na noite de terça-feira, em uma assembleia geral extraordinária para discutir o calendário de ações como forma de enfrentamento ao governo federal. Deverão acontecer novas manifestações, como o protesto que parou o atendimento na rede pública na última quinta-feira, e não está descartada a possibilidade de greve.
Entidades que representam a classe médica condenaram o programa ‘’Mais Médicos’’, entre elas a Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Além de condenarem a contratação dos profissionais estrangeiros sem a exigência do exame de revalidação de diploma, o chamado Revalida, eles reclamam de uma situação que não é nova: falta de investimentos na saúde pública e má gestão do sistema. Na opinião das entidades, a ampliação do tempo de formação nos cursos de Medicina é uma manobra que favorece a exploração de mão de obra.
Uma questão é importante: o governo federal está conduzindo de maneira correta o conflito com a classe médica? A reflexão é necessária porque, caso o embate entre os médicos e a presidente Dilma Rousseff acabar em greve, quem vai sair perdendo são os pacientes do SUS, justamente a parcela mais carente da população.

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