Em meio a sinais de recuperação, a economia paranaense reconhece seus problemas e reinventa soluções para as crises globais que aqui repercutem, considerando-se as vulnerabilidades financeiras que perduram, como o endividamento interno e externo e as incertezas continuadas de insegurança no cenário internacional. O Paraná reinventa o enfrentamento como reação às diferentes formas de crise global, aguçando a consciência, preenchendo com trabalho e ocupando espaços nos cenários competitivos do futuro.
Bom se dizer que só se destaca na concorrência quem souber tratar de uma forma única, que gostaria de tipificar como enfrentamento as mudanças e necessidades de ampliação produtiva. E nisso o Paraná é modelo, ao mostrar-se capaz de seduzir investidores e de investir na indústria, em novos empreendimentos ou na ampliação da capacidade instalada, incluindo as exportações entre as prioridades de seu negócio.
A redução das exportações paranaenses em fevereiro está associada à crise argentina e ao Mercosul, com quem devemos recompor de forma imediata ou progressiva, apostando que a crise vizinha já tenha superado seus piores momentos. A partir de março, quando for divulgada nova pesquisa do Departamento Econômico da Fiep, começam a aparecer as influências do agronegócio e da mudança de trajetória na taxa de juros, que dá sinais de retração.
O nível de emprego total registrado nos dois primeiros meses de 2002, comparado aos de 2001, apresentou um aumento de 2,24%, confirmando a perspectiva de uma recuperação no setor. É preocupante, no entanto, o aumento das incertezas externas, por conta da crise no Oriente Médio e de seus efeitos sobre a política monetária. Mas em se voltando ao passado, nos anos 70, o País dependia, em termos petrolíferos, em 65% do mercado externo. Hoje, esta dependência não passa de 25%, já que a produção interna (de petróleo) corresponde a 75%.
A perspectiva de crescimento das vendas industriais paranaenses é de 5% a 10% esse ano, percentuais bastante conservadores, embora apostamos na atração de novos investimentos e na sedução dos investidores que se norteiam pelo marketing do futuro. No Paraná, o marketing do futuro é aquele que confirma um antigo ditado: ‘‘O cliente investidor, ao investir aqui, sempre está com a razão’’.
JOSÉ CARLOS GOMES CARVALHO é presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)

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