Crise e inadimplência
Os indicadores da economia brasileira, divulgados quase que diariamente, indicam o aprofundamento da crise econômica e, o pior, sem sinais claros de recuperação no próximo ano. Com uma crise política sem precedentes na história instalada no Palácio do Planato e recessão econômica combinada a fatores como inflação alta, puxada principalmente pelo reajuste de tarifas administradas, aumento do desemprego e significativa queda dos investimentos feitos por empresas e governos, atingiram brutalmente o consumo das famílias.
Tanto que a Associação Brasileira de Supermercados registrou queda de 3,4% nas vendas de janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já a produção das montadoras de veículos no primeiro bimestre deste ano foi 31,6% menor do que no mesmo período do ano passado; a quantidade de veículos fabricados caiu ao menor nível desde 2003. Se antes a compra de bens de consumo foi alardeada como um dos avanços do Brasil, hoje as dívidas contraídas foram transformadas no "fantasma" da inadimplência.
No Paraná, pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta que o volume de consumidores endividados teve pequena queda em março na comparação com fevereiro, mas aumentou a quantidade de pessoas que admitem não terem condições de quitar dívidas contraídas. A retração do mercado de trabalho e a queda do poder aquisitivo têm relação direta com a informação acima. Outro ponto preocupante é que os consumidores paranaenses são os mais endividados do País. Enquanto a média nacional é de 60,3% da população, a estadual sobe para 84,4%.
Não parece que a reversão desses indicadores ocorrerá no próximo ano. Enquanto o governo continuar paralisado e trabalhando apenas para não perder o poder dificilmente serão tomadas ações significativas de incentivo à economia. E, por isso, é urgente que a crise política seja resolvida rapidamente. Essa paralisia tem impactado diretamente as famílias e deve ter um basta.





