Crise de confiança
A crise econômica e política atualmente enfrentada pelo País tem impactado diretamente na vida da população. Inflação em alta, aumento do custo de vida, desemprego e inadimplência agora fazem parte do dia a dia e do vocabulário de muitos pessoas. No entanto, talvez o pior efeito de todo esse cenário é a crise de confiança que já foi instalada. Enquanto as pessoas não acreditarem que há uma saída para tudo isso, elas se mostrarão insatisfeitas com sua própria realidade.
É o que aponta o Índice de Medo do Desemprego, medido trimestralmente pela Confederação Nacional da Indústria. No mês passado o índice teve alta de 4,1% com relação a dezembro de 2015 e atingiu 106,5 pontos. Foi o segundo maior índice da série histórica. Até então, a maior pontuação registrada tinha sido de 107,3, no início de 1999. Conforme o levantamento, o medo do desemprego aumentou mais fortemente entre dezembro de 2014 e março de 2016.
O Índice de Satisfação com a Vida caiu 2,8% agora com relação a dezembro de 2015 o menor patamar desde o início da série histórica. Na avaliação da entidade, "os brasileiros nunca estiveram tão insatisfeitos". É inevitável relacionar essa insatisfação com a crise econômica. Se há desemprego na família, se o salário não é suficiente mais para manter o padrão de vida das pessoas certamente é motivo de mau humor entre as pessoas. Tanto que a última manifestação popular contra o atual governo federal foram as maiores da história do País.
Não há como mostrar-se satisfeito até mesmo porque os impostos pagos cujas taxas são altíssimas não têm qualquer retorno à população. Pelo contrário, a sensação é que todos esses recursos arrecadados têm sido utilizados para alimentar o velho esquema da política brasileira, de propina, enriquecimento ilícito, corrupção. Os brasileiros precisam ser mais vigilantes e acompanhar mais de perto a vida pública do País.





