Curitiba Três casos de comércio de fotografias com cenas pornográficas pela internet estão sendo apurados pela Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, com sede em Curitiba. No 1º Distrito da Capital, os responsáveis por pelo menos duas denúncias de ameaças pela rede mundial de computadores estão sendo investigados. Em nenhuma delegacia do Estado, no entanto, há estatísticas desse tipo de crime. Mesmo porque, não existe um setor no Paraná que centralize denúncias desses delitos, que embora virtuais são passíveis de penalidades bem reais, com direito a multa e reclusão.
Enquanto o Estado patina para apurar esse tipo de crime, por falta de pessoas e setores especializados, os delitos virtuais estão cada vez mais comuns. Para o delegado titular da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, Guaraci Joarez Abreu, existe a urgente necessidade de se criar um setor especializado para apurar os chamados crimes cibernérticos. Os mais comuns, segundo ele, são o comércio de fotos pornográficas, principalmente infantis o que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e o estelionato.
Mas outros crimes, comuns no mundo real, são facilitados pela difusão gradativa da internet e pela dificuldade na identificação dos usuários da grande rede. Com um conhecimento pouco mais apurado da informática, os internautas podem furtar segredos militares, fraudar contas bancárias, mandar mensagens ameaçadoras por e-mail, comercializar drogas e produtos ilícitos, extorquir pessoas e empresas, além de piratear produtos como músicas e jogos eletrônicos.
Para tentar viabilizar as investigações desse tipo de crime, que ainda pega os policiais de surpresa, o Instituto de Criminalística do Paraná criou, há um ano, o Setor de Informática Forense. O setor ainda não existe oficialmente e mesmo em funcionamento há quase um ano não integra o organograma do Instituto de Criminalística do Estado.
A perito criminal, Edna de Andrade Melo, chefe do setor em Curitiba, explica que a subdivisão apura os delitos em que a ferramenta tenha sido o computador, como falsificação de documentos, ameaças e uso de imagens de crianças com conotação sexual. O setor também apura denúncias de clonagem de celulares e fraudes com cartão de crédito. Edna admite que está havendo uma evolução nesse tipo de crime, que demanda equipamentos mais modernos e pessoal qualificado para investigá-los.
Como o setor tem apenas dois funcionários e poucos equipamentos, conta com parcerias com universidades e laboratórios privados para apurar os crimes. Edna não soube informar quantas investigações foram realizadas nesse último ano, mas admite também que houve crescimento na procura pelos serviços do setor. ''A medida que os delegados vão tomando conhecimento dos serviços oferecidos, a procura aumenta'', disse. O setor funciona em Curitiba e em Londrina.

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