Crimes sem solução
Noventa por cento dos crimes contra a vida no Brasil não são solucionados. O índice é vexatório e coloca a polícia brasileira em situação muito incômoda. Por que tantos homicídios ficam impunes no País se nos países desenvolvidos a resolução de assassinatos varia de 65% a 90%?
Os dados são do ''Inqueritômetro'', site disponível nas páginas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que tem como objetivo mostrar o andamento da meta de conclusão de inquéritos sobre homicídios. A Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública, também conhecida como Meta 2, prevê que os procedimentos que investigam crimes dolosos contra a vida (homicídio, aborto, infanticídio e suicídio) instaurados até 31 de dezembro de 2007 deverão ser concluídos até dezembro de 2011.
O ''Inqueritômetro'' mostra que não vai ser fácil cumprir essa meta, pois calcula-se que existam 126 mil inquéritos sem solução em todo o País. No Paraná, o Ministério Público fez um levantamento que revelou 9.281 inquéritos policiais que apuram homicídios praticados até dezembro de 2007 e que até agora estão sem conclusão. Desses, 7.352 foram inseridos no cadastro do CNJ e de lá para cá, apenas 531 foram concluídos, ou seja, 7,2%. No ranking da evolução da produtividade, o Paraná está na 18 posição.
Essa situação foi foco de uma reportagem da FOLHA publicada no último domingo. O jornal mostrou também a tristeza de familiares de vítimas desses crimes sem solução. O velho ditado de que a ''justiça tarda, mas não falha'' não encontra respaldo no baixo índice de resolução dos crimes. Ao tomar conhecimento da realidade, a população vê crescer ainda mais o sentimento de impunidade.
Aliás, a impunidade também pode ser uma das razões para que a criminalidade mantenha índices altos no País. Muitos bandidos continuam matando porque acreditam que não serão punidos. Obviamente que outros fatores contribuem, como a corrupção, o crime organizado, o tráfico de drogas, a desigualdade social e a falta de infraestrutura das polícias.





