Deve ser respeitado o anseio do prefeito em exercício de Maringá, João Ivo Caleffi, de ver devolvidos aos cofres públicos os R$ 84 milhões que foram subtraídos da Prefeitura em gestões anteriores. Mas teme-se que esse sonho nunca se torne realidade. A história da corrupção governamental, no Brasil, e os resultados finais, mostram que é prudente não alimentar muita esperança. Porque não se tem notícia de que – a não ser em pequenas causas, envolvendo funcionários de escalões secundários – algum governante denunciado, julgado e considerado culpado tenha ressarcido o erário.
Isso comprova que, quando o Poder Público é o réu, o crime compensa. No caso do vizinho município, o ex-prefeito e seu então Secretário da Fazenda acabam de ser condenados, em uma das ações, a devolver R$ 12,6 milhões daquele montante, mas na bolsa de apostas da opinião popular a Prefeitura nunca mais verá essa fração do rombo e muito menos os R$ 84 milhões. Não se crê que haja bens indisponibilizados que cubram tamanha importância, por isso não se imagina de onde os réus irão extrair o dinheiro para pagar a conta.
Toda essa fortuna desviada já caiu no buraco negro. Mais um pouco e o fato cairá no esquecimento, neste país de leis excessivamente elásticas, de Justiça lerda e de população com memória fraca. É assim nas esferas federal, estadual e municipal. Ganham com isso os ladrões do erário e os advogados que atuam nas causas. O povo perde sempre.
Em Londrina, o ex-prefeito Antonio Belinati é agora citado em nova ação criminal, mas ninguém acredita que o município vá um dia rever as milionárias somas desviadas em sua administração. Tamanha é a quantia que nem se sabe ao certo contabilizá-la. O que se tem é que os R$ 184 milhões obtidos, à vista, com a venda de 45% das ações da companhia telefônica, diluiram-se. O volume do rombo de Londrina é alto demais – o dobro do caso de Maringá – e no entanto o que se vê é o processo arrastar-se e nenhum indício de que o povo, que é o grande burlado, volte a ver a cor desse dinheiro. O processo do roubo é veloz, mas o da recuperação poderá estender-se pela eternidade.

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