É frustrante para a sociedade constatar que 15 anos após a cassação do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati os processos ainda se arrastam na Justiça e praticamente não há qualquer desfecho. Mais de 120 ações foram impetradas pelo Ministério Público contra mais de 200 réus (incluindo o ex-prefeito e ex-secretários municipais daquela gestão, políticos e ex-servidores públicos e empresários), mas ninguém está preso e não houve qualquer devolução dos mais de R$ 100 milhões desviados. Permanece a impunidade, a certeza de que crimes de "colarinho branco" pouco são punidos no Brasil.
Em que pese o fato tenha contribuído para um certo amadurecimento da sociedade, do Ministério Público e da imprensa, que passaram a exigir um controle maior e mais transparência da administração pública, é importante que os culpados sejam responsabilizados. Desvios de dinheiro público e conduta criminosa de gestores que deveriam trabalhar em prol da população não podem ser práticas aceitas.
Além disso, é importante lembrar que esse caso foi um dos maiores escândalos de corrupção da história de Londrina e que deixou marcas profundas no próprio desenvolvimento local e regional. O município é polo de uma região pujante com mais de 1 milhão de habitantes, mas que na última década perdeu parte dessa importância econômica, como apontam os principais indicadores oficiais. Houve prejuízos significativos ao próprio desenvolvimento da cidade e, na avaliação de especialistas, impediu a formação de novas lideranças, o que resultou na pouca expressão político-eleitoral de Londrina. O caso resultou em consequências muito significativas para que os criminosos permaneçam impunes.
É importante também que a sociedade londrinense se articule e cobre celeridade do Judiciário. Inaceitável que 15 anos depois a maioria das ações ainda não tenha uma solução. É preciso exigir uma força-tarefa da Justiça em instâncias superiores, até porque se não houver punição dos réus parece de nada valerem as investigações do Ministério Público e a união da sociedade para combater a corrupção.

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