"O crime não compensa", a frase já bem conhecida em todo o mundo ganhou uma nova abordagem dias atrás quando o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que queria de volta a sua alma. Ele foi um dos primeiros delatores da Operação Lava Jato e depois de um período detido na Polícia Federal de Curitiba, o empresário agora cumpre pena domiciliar no Rio de Janeiro.
Paulo Roberto Costa foi ouvido na semana passada como testemunha de acusação do Ministério Público Federal (MPF), em audiência realizada na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, e repetiu tudo o que já havia confirmado nos depoimentos anteriores. Terminada na última sexta-feira a fase das testemunhas de acusação, começa no dia 25 de fevereiro as oitivas das testemunhas de defesa e os interrogatórios de 39 réus da Lava Jato.
Esses depoimentos fazem parte dos processos contra executivos de empreiteiras, além de ex-diretores da Petrobras e de pessoas acusadas de ser operadoras do esquema de pagamento de propina.
É bem evidente a estratégia adotada pela defesa dos executivos envolvidos nas ações penais da sétima fase da Lava Jato, o megaesquema de desvio de recursos da Petrobras. A maioria dos executivos é ligada a seis construtoras. O leitor deve lembrar que, segundo o MPF, as empreiteiras participaram do chamado "clube", um tipo de cartel formado pelas maiores construtoras do Brasil para garantir contratos com a estatal.
Em seus depoimentos, os executivos se declaram vítimas de extorsão. Eles dizem que ou pagavam propina ou ficavam de fora dos contratos para obras da Petrobras. A tese da defesa foi rebatida pelo juiz Sérgio Moro, que está à frente dos processos da Lava Jato. Em despacho publicado na semana passada, Moro ressaltou que "na corrupção há uma simbiose ilícita entre corrupto e corruptor" e que os dois são igualmente culpados. A afirmação do juiz é interessante até mesmo para mostrar que a culpa da corrupção não está apenas na classe política e no setor público. Há culpados também no setor privado e a população espera que todos os envolvidos sejam responsabilizados e paguem pelos crimes que cometeram.

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