Crime contra a gramática
A escola sempre foi - ou deveria ser - o porto seguro onde crianças, jovens e, em muitos casos, adultos encontram lições que ajudam a formar verdadeiros cidadãos.
Seja por meio da matemática, que proporciona o desenvolvimento do pensamento lógico; das ciências, que apresentam a magia da vida; da geografia, que explica o mundo em que vivemos; e da comunicação, responsável por disseminar os códigos que, quando bem utilizados, unem uma sociedade sob a égide de uma mesma língua.
Só que a educação, um pilar tão importante para a construção da sociedade, vem sendo tratada com desdém por alguns administradores públicos. O caso mais recente envolve a distribuição do livro ''Por uma vida melhor'', que foi enviado para 4.236 escolas brasileiras e deverá ser utilizado por mais de 485 mil estudantes.
Em um capítulo, o título defende a teórica supremacia da linguagem oral sobre a escrita. Dessa maneira, falar ''nós pega o peixe'' e ''os livro'' não só estão corretos como quem fala dessa forma pode se tornar vítima de ''preconceito linguístico''.
Um disparate. Afinal de contas, as escolas, principalmente as de base, deveriam ensinar as formas corretas de linguagem, ainda que não sejam estáticas e que sofram alterações características da evolução linguística, como defendem alguns pesquisadores do assunto.
O Ministério da Educação (MEC) informou que não vai se envolver na polêmica. Uma pena, já que a pasta deveria sair em defesa de obras que enfatizem as regras cultas. Até mesmo para discutir a liberdade oral é preciso conhecer as normas oficiais, contidas na gramática. Não dá para colocar o carro diante dos bois.
Encontrar erros em livros e apostilas didáticos não é incomum, infelizmente. A cada temporada, novos casos aparecem. É preciso mais cuidado na distribuição dessas obras para que o ato de aprender seja efetivo e não represente um retrocesso no desenvolvimento pessoal.





