A inteligência do homem manifesta-se por criatividades que surpreendem, como o aproveitamento da pele de peixe para a confecção de roupas, calçados, cintos, carteiras e acessórios no geral que utilizam couro. É um projeto desenvolvido pela Universidade Estadual de Maringá e que foi assunto na última edição da Folha Rural.
Desde os anos 90 a professora do Departamento de Zootecnia da UEM, Maria Luiza Rodrigues de Sousa, doutora em Agricultura e Tecnologia de Pescados, trabalha na pesquisa de couros, e a partir de três anos atrás passou a desenvolver um programa para utilização industrial de peles de peixes, que já rende dividendos para quem entrou no negócio. E encontra seguidores no México, no Equador e na Colômbia.
Trata-se de um novo potencial de renda neste país onde os inventos e habilidades não têm limites. O projeto oferece ainda cursos a piscicultores, a associações de produtores e a prefeituras. Uma única pessoa - conforme declara aquela especialista - pode produzir por dia 200 quilos de pele descarnada, e existe mercado para isto.
O chefe daquele Departamento da UEM, Júlio Cesar Damasceno, ressalta a importância social desse empreendimento, que abre nova alternativa de renda para pequenos e grandes produtores. Paralelamente, a curtição dessas peles encontra respaldo no próprio negócio da produção de peixe e na já expandida indústria paranaense de confecção.
O programa vai desenvolvendo tecnologias que aumentam a resistência, a elasticidade e a maciez das peles. Até as escamas, que recebem tinturas, são aproveitadas para peças artesanais e, acrescidas de essências florais, servem como decoração aromatizada. Do cheiro pouco agradável do peixe chega-se a esse ponto de transformação.
Na curtição são também recomendados os cuidados com a preservação ambiental, e isto faz parte do projeto. O município paranaense de Assis Chateaubriand, grande criador de peixes para consumo, tem uma indústria que já curte peles de peru, avestruz e de bucho de boi e introduziu também a de peixe. Isto significa não apenas incremento de fontes de renda mas também a geração de empregos.
Estes são aspectos do Paraná das muitas possibilidades, que cresce pelo trabalho de pesquisadores idealistas e pelo arrojo de empreendedores - grandes e pequenos - com disposição para o trabalho, mesmo que sacrificante, como é o do extrativismo. Ressalte-se também a presença de instituições como a universidade - a de Maringá e tantas outras - integradas ao capital e ao empreendedor.

mockup