Criando gastos e aumentando impostos
Quando a situação não vai bem numa família, todos se unem e diminuem gastos, adequando as despesas à renda e assim estabelecendo-se um sustentável equilíbrio. Isto ocorre porque a receita familiar não é oriunda de ajuda alheia e sim do trabalho de cada um. O dinheiro tem, assim, um especial conceito de valor e não é desperdiçado. Com o governo isto não acontece, porque a receita não é produto de esforço próprio, mas subtraída do povo em forma de impostos. A máquina governamental, gastadora, desperdiçadora, pouco operante e dificultadora do fluxo da atividade produtora nacional, não faz cálculos de economia e, por isso, não contém gastos. Ao contrário, aumenta continuamente suas despesas e, se os recursos escasseiam, simplesmente eleva os impostos ou cria novos, como fez no começo do ano. Essa gastança desenfreada ocorre tanto no Executivo como nos outros dois poderes, com efeito cascata sobre Estados e municípios, porque todos seguem o mau exemplo. Minúsculas prefeituras e câmaras de vereadores vão aos extremos que a legislação permite e aumentam o número de assessores e as despesas, sem o mínimo senso de decoro e de responsabilidade. Como em muitos municípios o número de vereadores diminuiu, os agora eleitos e os reeleitos sentiram-se sobrecarregados de ''serviço'' e passaram a aprovar contratações de mais auxiliares que pouco auxiliam entre eles apaniguados, com vínculos familiares ou outros e não propriamente especialistas em alguma área inerente à assessoria prestada, salvados casos específicos. Impera um grande festival de gastos à custa do dinheiro público, que irá faltar para obras indispensáveis. Os deputados federais elevaram a verba individual de gabinete de R$ 35 mil para R$ 45 mil, justamente para ser gasta com mais assessores. Desde janeiro está em vigor o aumento de R$ 12 mil para R$ 15 mil para a verba indenizatória da despesa individual do deputado, quando ele está em seu Estado. O salário parlamentar deverá subir de R$ 12.700 para R$ 21 mil, pelo entendimento de seguir o teto do Poder Judiciário, sem contar o vasto corolário de outros empenhos. Na esfera do Executivo é onde a gastança sem juízo chega às culminâncias, porque 61% de toda a receita tributária concentram-se ali. O culto ao gasto desnecessário chega às bases, e onde há um hospedeiro de políticos há esbanjamento. A comunidade governamental, em todos os seus segmentos e escalões mais graduados, vive padrões de primeiro mundo enquanto um quarto da população brasileira sobrevive em estado de penúria e outro tanto sustenta-se dentro de grandes limitações. Fisicamente, a estrutura instalada do País é bastante sucateada, porque ou não há dinheiro para a restauração necessária, e se há é desviado para outras finalidades basicamente pagar a conta da gastança. Grande parte da renda concentra-se nesses bolsões e assim escasseia nas bases produtoras, que é onde deveria situar-se mais intensamente e assim exercer sua dinâmica multiplicadora e geradora de mais riquezas.





