CRIANÇAS SUPERPODEROSAS - Equilíbrio é essencial quando o assunto é autoestima
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de janeiro de 2011
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Ter autoestima é fundamental. Para formar adultos confiantes, no entanto, os cuidados devem começar na criação dos filhos. O caminho é incentivá-los e elogiá-los sempre que possível, para que seja forjado um comportamento positivo. Existe, no entanto, o risco de que o tiro saia pela culatra. Confiança em excesso também pode ser um problema.
Segundo a psicóloga Vilmara Sanches Russo, os pimpolhos com excesso de autoestima podem se tornar ''crianças de difícil convivência, com dificuldades para aceitar limites, normas e regras.'' Têm um forte sentimento de ''superioridade'', não aceitam críticas e não toleram ouvir ''não''.
E os problemas não param por aí. As crianças com autoestima excessivamente elevada apresentam baixa tolerância à frustração. Por isso, poderão tornar-se adultos inseguros. Por isso, os pais devem ter consciência de que são modelo de comportamento para os filhos. Portanto, precisam impor limites para que as crianças não tenham nem falta nem excesso de autoestima.
A autoestima em excesso pode ser considerada um problema, a exemplo da baixa autoestima? Essa confiança exacerbada em si próprio é comum em crianças?
A autoestima é a opinião e o sentimento que cada um tem por si mesmo. A autoestima, juntamente com o amor próprio, é a base para o ser humano e se desenvolve a partir da infância. É formada basicamente pela afetividade e pelo cuidado dos seus pais ou daqueles que têm a responsabilidade pelos cuidados da criança. Os adultos são o espelho em que a criança se olha.
Crianças com autoestima baixa se tornam caladas, pensativas, fechadas, mal humoradas e incapazes. Em contrapartida, uma criança com autoestima saudável será ativa, curiosa, comunicativa e capaz, porque estará preparada para enfrentar desafios e vencer dificuldades. Mas o excesso de autoestima também pode ser um grande prejuízo emocional para a criança, desencadeando problemas de relacionamento interpessoal. Tornam-se crianças de difícil convivência, com dificuldades para aceitar limites, normas e regras, apresentando sentimento de ''superioridade'', não acatando críticas. São crianças que não sabem ouvir ''não''. Infelizmente nos nossos dias tem sido comum encontrar crianças com esses comportamentos.
Quanto desse comportamento é culpa dos pais?
Não podemos nos esquecer que os pais são figuras da maior importância emocional na vida dos filhos. São, portanto, o principal modelo e os grandes responsáveis pela sa© úde emocional das crianças.
Que tipos de problemas crianças com excesso de autoestima podem ter?
Normalmente a criança com excesso de autoestima é fruto de uma educação permissiva. Os pais ou responsáveis dão muita liberdade, facilidades e são muito tolerantes e flexíveis, não conseguindo impor limites saudáveis. Essa criança, portanto, apresenta muita dificuldade de convivência, chegando a se tornar ''indesejável'' para amigos e familiares. São crianças que apresentam baixa tolerância à frustração e, no futuro, podem ter sérias dificuldades para enfrentar situações difíceis, se tornando inseguras.
Como fazer a correção desse quadro?
Nunca é tarde para tentar reverter. Os pais precisam se conscientizar da importância do seu papel na educação dos filhos e não podem se omitir. Eles devem educar, corrigir e impor limites, sempre com amor, respeito, valorização e autoridade, estimulando o diálogo. É preciso escutá-las, sem reprovação nem julgamentos e sem minimizar a importância dos seus problemas. Um dos caminhos é buscar ajuda profissional.
Quais problemas crianças que crescem com sentimento de superioridade podem enfrentar na fase adulta?
Normalmente se tornam adultos aparentemente fortes, seguros e autossuficientes, mas emocionalmente imaturos, necessitando constantemente de autoafirmação.


