Crianças são transferidas por ordem judicial
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quinta-feira, 07 de março de 2002
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
Oito crianças e adolescentes da Casa-lar Ebenezer, extensão de Londrina, foram transferidas, ontem, por ordem judicial para a Casa-lar de Jaguapitã. Apesar do desespero da responsável pelas crianças, Edna França de Abreu, a ordem foi cumprida pelos oficiais de Justiça de Londrina. A promotora de Jaguapitã, Fábia Gimenez, esclareceu que a ação de intervenção da entidade foi movida por causa de uma série de denúncias de irregularidades. A extensão para Londrina não foi aprovada pela diretoria, as doações da comunidade, os móveis e até a comida não eram divididos de maneira igualitária.
Fábia pediu o afastamento do presidente pastor Jonas João Rossi e da vice e diretora da entidade Edna França de Abreu. Segundo a promotora, há um mês estão sendo feitas negociações para tentar regularizar a situação. No dia 21 de fevereiro foi realizada uma reunião para tentar resolver os problemas e esclarecer as denúncias.
Participaram da reunião o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ministério Público, judiciário, comunidade e os responsáveis pela entidade foram convocados, mas apenas Edna compareceu. Ela veio, mas não conseguiu responder a nenhuma das questões, por isso fizemos o pedido de afastamento deles e a transferência das seis adolescentes e três crianças para Jaguapitã antes que a situação se agravasse mais, explica Fábia.
Segundo Edna, a decisão foi uma surpresa. Eles me ligaram hoje (ontem) de manhã e falaram para não mandar as crianças para a escola porque elas seriam ouvidas pelo juiz. Depois vieram com a ordem judicial e levaram todos os móveis. Eu cuido dessas crianças há quase sete anos. É justo me tirarem elas agora?
A maior preocupação de Edna era com J.A., 6 anos, que sofre de hidrocefalia e estava em internamento domiciliar. O oficial de Justiça Élcio Rogério da Silva disse que não era possível remover a criança sem uma ambulância e cuidados médicos. Ele entrou em contato com a promotora de Jaguapitã e solicitou que J.A. ficasse com Edna por enquanto. A promotora concordou em adiar a transferência.
A justificativa de Edna para fazer uma extensão em Londrina era a busca por mais recursos financeiros, dar uma formação profissional para os adolescentes e buscar um atendimento médico especializado para as crianças. Segundo a promotora os motivos são questionáveis. Uma criança de dois anos que não tem a final do intestino é hoje o caso mais grave da casa e não foi levado para Londrina.
A extensão foi aberta em janeiro desse ano no conjunto Maria Cecília, zona norte de Londrina.


