Oito crianças e adolescentes da Casa-lar Ebenezer, extensão de Londrina, foram transferidas, ontem, por ordem judicial para a Casa-lar de Jaguapitã. Apesar do desespero da responsável pelas crianças, Edna França de Abreu, a ordem foi cumprida pelos oficiais de Justiça de Londrina. A promotora de Jaguapitã, Fábia Gimenez, esclareceu que a ação de intervenção da entidade foi movida por causa de uma série de denúncias de irregularidades. ‘‘A extensão para Londrina não foi aprovada pela diretoria, as doações da comunidade, os móveis e até a comida não eram divididos de maneira igualitária.’’
Fábia pediu o afastamento do presidente pastor Jonas João Rossi e da vice e diretora da entidade Edna França de Abreu. Segundo a promotora, há um mês estão sendo feitas negociações para tentar regularizar a situação. No dia 21 de fevereiro foi realizada uma reunião para tentar resolver os problemas e esclarecer as denúncias.
Participaram da reunião o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ministério Público, judiciário, comunidade e os responsáveis pela entidade foram convocados, mas apenas Edna compareceu. ‘‘Ela veio, mas não conseguiu responder a nenhuma das questões, por isso fizemos o pedido de afastamento deles e a transferência das seis adolescentes e três crianças para Jaguapitã antes que a situação se agravasse mais’’, explica Fábia.
Segundo Edna, a decisão foi uma surpresa. ‘‘Eles me ligaram hoje (ontem) de manhã e falaram para não mandar as crianças para a escola porque elas seriam ouvidas pelo juiz. Depois vieram com a ordem judicial e levaram todos os móveis. Eu cuido dessas crianças há quase sete anos. É justo me tirarem elas agora?’’
A maior preocupação de Edna era com J.A., 6 anos, que sofre de hidrocefalia e estava em internamento domiciliar. O oficial de Justiça Élcio Rogério da Silva disse que não era possível remover a criança sem uma ambulância e cuidados médicos. Ele entrou em contato com a promotora de Jaguapitã e solicitou que J.A. ficasse com Edna por enquanto. A promotora concordou em adiar a transferência.
A justificativa de Edna para fazer uma extensão em Londrina era a busca por mais recursos financeiros, dar uma formação profissional para os adolescentes e buscar um atendimento médico especializado para as crianças. Segundo a promotora os motivos são questionáveis. ‘‘Uma criança de dois anos que não tem a final do intestino é hoje o caso mais grave da casa e não foi levado para Londrina.’’
A extensão foi aberta em janeiro desse ano no conjunto Maria Cecília, zona norte de Londrina.

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