Crianças que matam crianças
Curitiba O caso mais estarrecedor é o das menores P.H.S., de 11 anos, e A.O.L., de 9 anos, que mataram a menina B.R.M., de 4 anos, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, no dia 17 deste mês. A frieza das garotas foi tanta que elas chegaram a simular o estupro da menina, introduzindo um cabo de vassoura nos órgãos genitais da vítima. Depois, acusaram um homem de 42 anos como sendo o autor. Elas disseram que deram socos, pularam em cima do corpo da menina e a afogaram em uma valeta.
P.H.S. teria dito à juíza que resolveu matar a criança porque ela sempre ia em sua casa pedir comida, que já era pouca para sua família, e que sentia ciúmes da sua mãe, quando dava comida à pequena. A outra menor, de 9 anos, a acompanhou. Por seu comportamento instável durante o depoimento, a juíza Mila Aparecida, da Vara da Infância de Colombo, avaliou que a maior apresenta problemas de ''desvio de conduta''. Segundo o delegado Messias Antonio da Rosa, da Delegacia Alto Maracanã, em Colombo, as duas tinham problemas familiares. P.H.S. teria sido vítima de tentativa de atos libidinosos pelo padastro, e A.O.L., sem pai nem mãe, vive com a avó. As duas estão sendo submetidas a tratamento psicológico e outras medidas de proteção previstas nos artigos 98 e 101 do ECA.
Outra situação que leva a pensar o que leva crianças e adolescentes a situações extremas foi o suicídio, no último dia 7, de Z.A.F., 11 anos, que se enforcou com um fio elétrico nos fundos da casa onde morava, no Bairro Campo Comprido, em Curitiba. Apesar de ter sido encontrada sem calcinha e com marcas de violência pelo corpo, indícios levantados pela perícia médica são de morte por enforcamento sem violência sexual. A polícia desconhece o motivo que teria levado a garota a se matar.
O terceiro crime aconteceu em Londrina, dia 20, quando D.T.S., de 14 anos brincava de roleta russa com o namorado Rogério Stefano de Oliveira, 18 anos, e acabou acertando um tiro na cabeça do rapaz. Na polícia, a menor contou que tinha três balas no tambor e começou a brincar. A garota foi encaminhada para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi).
''O Paraná já tem o seu pataxó'' foi o título de um artigo do jornalista Creso de Moraes, que comparou um dos crimes mais bárbaros praticados por menores no Paraná à ação dos adolescentes de Brasília, que colocaram fogo no corpo de um índio, que veio a morrer em seguida. Na noite de 21 de junho de 2001, em Piraí do Sul (74 km ao norte de Ponta Grossa), seis adolescentes entre 11 e 16 anos espancaram, tiraram a roupa, violentaram com um cabo de vassoura e jogaram muita água sobre o andarilho João Ângelo Prestes de Oliveira. Abandonado e molhado, na noite mais fria daquele ano (1 grau centígrado), Oliveira acabou morrendo por hipotermia, ou seja, queda acentuada da temperatura do corpo. O Ministério Público entrou com uma ação contra todos os pais que tivessem filhos entre 7 e 14 anos fora da escola. Na ação, ela dá duas opções aos pais: ou matriculam seus filhos ou serão acionados em processo criminal.





