Crianças pedintes e toque de recolher
Embora considerado paliativo, o toque de recolher para os denominados meninos de rua, em determinado horário noturno, é mais uma das medidas que as autoridades e os serviços sociais tomam visando atenuar os riscos a que esses adolescentes estão expostos. Isto é melhor do que nada, porque solucionar esse problema é tarefa de grande complexidade. Se apenas isso não resolve, é um meio, porque se eles são retirados das ruas, com certeza ficam protegidos de algum risco.
Alguns municípios do Paraná já estão pensando em adotar essa prática, e em Londrina um projeto com o mesmo objetivo tramita na Câmara Municipal. Não significa que durante o dia os perigos para esses menores não existam, mas dar-lhes alguma forma de proteção à noite já é um caminho. O drama diurno é ver meninos e meninas nos semáforos pedindo dinheiro que pode estar servindo para ajudar no sustento da casa, porque a miséria é grande, ou para adquirir drogas, principalmente o crack.
Os adolescentes que pedem na rua formam a maior parte dos que, com o dinheiro arrecadado, adquirem drogas. É o que afirma o educador social Osni Damásio da Silva, do centro de referência Sinal Verde, de Londrina, instituição que lida diretamente com esses adolescentes e busca ressociá-los. Alguns deles afirmam que mendigam para contribuir no sustento próprio e da família, e outros não negam que são drogados e alimentam o vício com o que arrecadam. As pessoas, então, enfrentam a dúvida de estarem efetivamente contribuindo para uma causa social ou incentivando o consumo de entorpecentes por essas crianças, agravando-lhes ainda mais a saúde e sua triste condição. Para pedir, muitos abandonam a escola; outros, atendidos pelos centros de apoio, acabam retornando às ruas. Entidades e pessoas da área oficial ou voluntárias estão em constante atividade para tirar do descaminho esses menores, também operando junto às famílias deles na busca de inclui-las em alguma atividade de renda.
Dar ou não dar dinheiro e alimentos a esses pedintes, eis um drama. As entidades socorristas recomendam não dar, como forma de estimulá-los a abandonar a rua e ficarem em casa. O toque de recolher será mais um mecanismo de ajuda, porque não tem característica de policiamento ou cerceamento da liberdade, mas é medida de alcance social. Melhor este e os demais remédios de emergência porque o problema maior reside na pobreza do que ter de reparar consequências piores.





