Crianças no poder
Na véspera do Dia das Crianças, a Folha de Londrina chama a sociedade para uma reflexão importante: o papel que as crianças ocupam atualmente nas famílias. Reportagem de hoje faz uma retrospectiva, lembrando que durante muito tempo o papel de protagonista do lar era prerrogativa do pai, passando depois por um curto período de tempo para a mãe, espaço ocupado agora pelos filhos. É evidente que as crianças e adolescentes exercem um enorme poder dentro das famílias. Mas a questão é se o tipo de cuidados que recebem é adequado à sua idade e fase de desenvolvimento?
Uma das especialistas entrevistadas pela reportagem da FOLHA avalia que existe um lado positivo e um lado negativo nesse "papel principal" desempenhado hoje pelos filhos. O lado bom é que a infância está recebendo mais atenção do que tinha antigamente, tanto física como afetivamente. Mas a faceta preocupante dessa mudança de configuração na hierarquia da casa é que o lugar de protagonista implica em ter poder. E a criança não tem equipamentos cognitivos e psíquicos para sustentar esse exercício de poder. Daí os problemas que podem acontecer quando a criança decide por ela mesma a escola que vai frequentar ou a modalidade esportiva que vai praticar.
Lembrando que muitos dos que ocuparam o lugar de protagonista abusaram do poder. Quem não conhece histórias de pais violentos, agressivos ou dominadores? De mães extremamente possessivas de um jeito nocivo? E quem não ouviu dizer que hoje há muitos casos de crianças que desempenham uma certa tirania nas famílias ou nas escolas? O consumismo desenfreado por parte de adultos, crianças e adolescentes - considerado um dos principais problemas da sociedade do século 21 - certamente é um dos frutos dessa desorganização familiar.
A solução para esse problema, apontam os especialistas, é que pais e filhos exercitem um poder diferente dentro de suas próprias competências. A criança como protagonista tem que ser foco de cuidados e não de poder. Outro ponto importante: muitos adultos estão esquecendo que a infância implica em tempo para brincar, processo essencial para que o ser humano possa lidar com o mundo na vida adulta. Nesse sentido, vale cobrar do poder público a oferta, nas comunidades, de espaços adequados e protegidos para brincadeiras junto com educação e saúde de qualidade.





