A Operação Nacional Proteção Integral III, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com as polícias civis de 16 estados, revelou mais uma vez a preocupante dimensão dos crimes de abuso sexual infantil praticados na internet. Até o início da tarde de quarta-feira (8), os policiais haviam feito 55 prisões em flagrante.

Os mais de 180 mandados de busca e apreensão autorizados no âmbito da Operação Nacional Proteção Integral III apontam para a gravidade de um problema que exige vigilância permanente e ação coordenada entre instituições de segurança e sociedade.

O objetivo da operação foi identificar suspeitos envolvidos em crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes praticados, sobretudo, pela internet. Além das prisões em flagrante, até a última atualização feita pela Polícia Federal, haviam sido registradas duas apreensões de menores e duas vítimas resgatadas.

Chamou a atenção a grandiosidade da operação, que mobilizou 890 agentes, sendo a maioria policiais federais, reforçando a importância da atuação integrada das autoridades. Os estados alvos da ação foram Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva veio a público falar sobre a importância da operação, afirmando que ela é uma oportunidade de fazer uma “limpeza neste país”. Mas, infelizmente, não é uma tarefa fácil proteger as crianças e adolescentes no ambiente digital porque o avanço tecnológico que traz benefícios em várias áreas, também acaba se tornando um território fértil para a exploração de vulneráveis.

No mês passado, o presidente Lula sancionou lei que combate a "adultização" de crianças nas redes sociais, um debate que ganhou força após as denúncias de exploração infantil feitas pelo influenciador Felca.

A nova lei determina que plataformas digitais, incluindo redes sociais ou aplicativos de jogos, desempenhem um papel mais ativo na proteção de usuários menores de idade, permitindo mais controle e prevenção contra abuso e crimes on-line, na coleta de dados e na exposição à publicidade.

Operações como a realizada na quarta-feira são importantíssimas, mas é preciso fazer mais, como investir em políticas públicas de prevenção, ampliar o acesso à educação digital e fortalecer os mecanismos de denúncia e acompanhamento psicológico das vítimas.

A responsabilização penal dos agressores também precisa ser firme. Enquanto houver crianças ameaçadas no ambiente virtual, nenhuma sociedade poderá considerar-se verdadeiramente segura.

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