A criminalidade em Londrina assumiu patamares preocupantes, quer pelo número de ocorrências ou pelo perfil dos envolvidos, quer ainda pela performance dos crimes. Os adolescentes não são ainda a maioria dos criminosos, mas assustam pelo requinte dos atos, pela irracionalidade e pela frieza, bem como pela reincidência. Os profissionais da segurança estão literalmente atônitos com a situação em nossa cidade, nomeadamente no que concerne ao envolvimento de menores. Alguns se reconhecem impotentes em apresentar soluções que dirimem a situação fora de controle que nos atinge. Uso termos drásticos propositadamente, consciente de que não é atenuando o problema que conseguiremos soluções.
Ocorre no entanto, que habitualmente quando se chega num patamar crítico como este, o envolvimento emocional gera um senso comum, a meu ver negativo, que geralmente em nada ajuda na resolução da equação. Hoje em Londrina a maioria absoluta é a favor do trabalho de menores e calculo que ficaríamos surpreendidos se perguntássemos na rua sobre a prisão perpétua ou pena de morte para adolescentes infratores! Tenho sentido uma revolta geral da população, alicerçada fundamentalmente na frustração de não vislumbrar caminhos de mudanças para o setor.
O CIADI local, não tem capacidade para mais um que seja (está normalmente com 30% de excesso!) e o Educandário em construção já se tornou alvo de discussões sobre sua capacidade física de comportar um número razoável de menores, passível de um trabalho sério de ressocialização e reinserção na comunidade.
O problema não é recente. Ele cresceu junto com a cidade. Bairros enormes sem infra-estrutura adequada; famílias desestruturadas; pais sem trabalho; crianças fora da escola... crime organizado se organizando! Foi esse panorama que ajudamos a criar com nossas omissões e corrupções! É esse o retrato de tantas atitudes inconsequentes e irresponsáveis que nos legaram uma situação da qual não podemos fugir, até porque ela nos perseguiria.
É hora de usarmos todas as capacidades intelectuais e humanas para o enfrentamento. Alguém me disse que vivemos uma guerra! É verdade! É o conflito da irracionalidade e da criminalidade contra a razão e o bom-senso! Dela sairemos vencedores se não nos rebaixarmos ao mundo dos criminosos usando as suas armas. A sociedade tem parâmetros de organização superiores ao seu adversário e deve usar as armas de que dispõe que não são poucas para derrotá-lo e dele se proteger.
O Estatuto da Criança e do Adolescente não é bloqueio para nada! É uma conquista sábia, inteligente e madura de nosso país. Adolescente, ontem ou hoje, pobre ou rico, daqui ou do Hemisfério Norte, é sempre adolescente! Ele não está pronto! Não está formado! Não pode ser o único responsável por seus atos. Nunca me posicionei contra a discussão em torno da redução da maioridade penal. O que eu sei é que se não tomarmos medidas drásticas e pertinentes, em alguns anos estaremos debatendo novamente este item do grande problema! Quem sabe usaremos as antigas creches como prisões!
Lugar de criança e adolescente é na escola. A partir dos 16 anos ele pode trabalhar sim. Ao abrigo das restrições do Estatuto, mas pode! Nós temos outro tipo de trabalho: proporcionar a esses filhos, caminhos de inserção e realização pessoal na própria sociedade. Londrina ainda tem jeito. Tem sempre jeito, quando acreditamos em nós e na beleza que existe por trás de um menor infrator, reflexo do mundo que lhe oferecemos!
PADRE MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é chefe do Escritório Regional da Secretaria do Trabalho e Promoção Social

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