Deve tramitar no Congresso Nacional um projeto de lei determinando que todos os boletins de ocorrência policial, os chamados BOs, envolvendo desaparecimento de crianças e adolescentes no País sejam imediatamente enviados ao Ministério da Justiça para que sejam publicados em uma página específica na internet. A informação que ficará disponível na rede mundial de computadores será acompanhada de uma imagem do BO e uma foto do jovem desaparecido.
Essa foi uma importante proposta sugerida durante audiência pública, realizada semana passada, no Senado, organizado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. A reunião aconteceu em referência a 25 de maio, Dia Nacional da Criança Desaparecida.
Outra ferramenta da internet deverá ajudar as famílias de crianças desaparecidas no Brasil. Uma parceria entre governo federal e o Facebook possibilitará a abertura de um site que será atualizado diariamente, contendo informações e fatos envolvendo os desaparecidos. A previsão é que ele entre em funcionamento no final de junho.
O governo federal anunciou ainda, durante a audiência pública, que criou um grupo interministerial para tratar sobre o Cadastro Nacional de Crianças e Jovens Desaparecidos, cujos grandes focos serão a migração automática de dados dos estados para este cadastro, a assistência às famílias atingidas e a própria busca pelos desaparecidos. Outra medida já está em funcionamento desde maio. Trata-se de uma plataforma on-line e gratuita, a Central Nacional de Óbitos de Pessoas Não Identificadas. O serviço foi viabilizado pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de São Paulo (Arpen-SP), que vai disponibilizar dados disponíveis em cartórios de registro civil dos Estados interessados.
Em reportagem publicada hoje, a FOLHA mostra que no ano passado foram registrados no Paraná 254 desaparecimentos de meninos e meninas, sendo a maioria fugas. No Estado, o Serviço de Informações de Crianças Desaparecidas (Sicride) tem abertos 24 casos de desaparecimento de crianças que nunca foram solucionados.
A internet e ferramentas como o Facebook, certamente, têm poder de ajudar na localização de pessoas desaparecidas. Por isso, iniciativas como essas que foram citadas são bem-vindas. Mas, não basta uma boa ideia se não houver empenho e condições de colocá-la em prática. Espera-se que realmente o Brasil consiga tirar do papel essas propostas em um curto período de tempo.

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