Crianças de 5 anos frustradas?
Luiza Leonor Cavazotti e Silva
Esperar completar 6 anos de idade para iniciar o primeiro ano do Ensino Fundamental frustra crianças e seus pais?
Os 7 anos foram, secularmente, a idade da criança iniciar a 1ª série primária hoje, Ensino Fundamental 1.
Essa idade chamada, também, de idade da razão, - mostrou-se, universalmente, o momento adequado quanto aos aspectos cognitivo, social e emocional para a criança ser introduzida no mundo acadêmico.
Em 2007, o Brasil para se adequar aos padrões internacionais adicionou ao Ensino Fundamental mais um ano escolar. Sem o "Fundamental de 9 anos", os brasileiros não eram aceitos para continuar seus estudos no exterior.
Esse acréscimo de um ano tem a finalidade de iniciar todas as crianças na escola aos 6 anos, de forma mais gradual, sem exigências tão acadêmicas é o chamado "cour préparatoire" francês, pois a "idade da razão" não mudou nenhuma criança consegue ir além de sua maturidade pelo simples fato de iniciar-se mais cedo na escola.
Para criar uma norma quanto à idade de introdução das crianças aos 6 anos no Fundamental, o Brasil país que inicia o ano letivo próximo ao ano gregoriano estabeleceu dia 31 de março como limite, para a criança iniciante completar os 6 anos de idade. Esta é a chamada "data de corte". As outras, pelas leis nacionais, iniciarão o 1º ano no ano seguinte, e devem ser inseridas na Educação Infantil, até lá.
A "idade de corte" é utilizada internacionalmente para crianças que não sejam "superdotadas". Dessa forma, tem-se, em cada turma, alunos com um ano de diferença de idade entre o mais novo (aquele que completa os 6 anos em 31 de março do ano vigente) e o mais velho (que completa 7 anos em 1º de abril do ano vigente).
Escolas do Estado do Paraná - e de alguns outros estados vêm contrariando a norma nacional, desde 2009, através de liminar da Justiça comum, em nome da "frustração" das crianças de 5 anos de idade e de seus pais, se não entrarem no 1º ano, impedindo que uma prática nacional, e internacional se estabeleça no Brasil.
Nesses anos de mudança da lei, a frustração que constatei em crianças que entraram no 1º ano com 5 anos, e em seus pais, teve o motivo inverso: crianças que não tinham nenhum problema de aprendizagem no início do Ensino Fundamental, passaram a ter dificuldade para aprender a ler, a escrever, na matemática, na realização das tarefas em casa, no tempo de atenção e no comportamento.
Essas dificuldades permaneceram, em muitas delas, no 2º, no 3º, no 4º, no 5º anos, aumentando muito o índice de crianças com "distúrbios" de aprendizagem.
Quando lhes foi permitido conviver com a turma de sua idade, os "distúrbios" de aprendizagem "evaporaram".
A idade padronizada facilitaria o ensino, evitaria problemas de imaturidade nas crianças e problemas de adaptação escolar por transferência de uma escola para outra na mesma cidade, no mesmo estado, em diferentes estados do país.
Com tantos problemas importantes sobre qualidade de ensino que nós, educadores - de escolas públicas e privadas temos para transpor, por que vamos criar mais esse?
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