Nesse momento, 5.240 crianças e adolescentes esperam em orfanatos brasileiros por uma família interessada em adotá-las. Esse número foi divulgado ontem, Dia Nacional da Adoção, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com o levantamento, das crianças e adolescentes disponíveis para a adoção, 45,92% são pardas, 33,8% brancas e 19,06% negras. Um total de 77,16% dessas crianças têm irmãos - sendo 35,99% com o familiar também inscrito no Cadastro Nacional de Adoção (CNA).
Por outro lado, o número de adultos pretendentes é bem maior que os menores disponíveis, chegando a um total 28.041 inscritos em todo o País. Se a procura é bem maior que a oferta, por que essa conta não fecha? A resposta é simples: as características do futuro filho idealizado pelos candidatos a pais não se enquadra no perfil dos menores disponíveis. Embora o Brasil seja um país formado por diferentes raças e costumes culturais, quase a totalidade dos pretendentes prefere adotar uma criança branca e do sexo feminino. A idade também é uma barreira, pois os interessados aceitam apenas aquelas com no máximo três anos.
O Dia Nacional da Adoção nasceu para incentivar os brasileiros a adotarem as crianças e adolescentes que desejam intensamente fazer parte de uma família. A criação do Cadastro Nacional da Adoção (CNA) está ajudando nesse processo à medida que reúne informações dos menores disponíveis e das pessoas interessadas em adotar. O banco de dados acelera procedimentos, ajuda no desenvolvimento de políticas públicas nessa área e também permite o conhecimento da realidade dessas crianças e adolescentes.
Mas ainda falta muito a fazer e o próprio CNJ reconhece que há bastante trabalho pela frente. É preciso estruturar melhor as Varas da Infância e Juventude (responsáveis pelo procedimento) e realizar um grande trabalho de conscientização dos interessados no sentido de mudar as suas exigências. Muitos casais que reclamam da lentidão da Justiça fazem parte do grupo que idealizou adotar um bebê branco do sexo feminino.

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