Crianças irritadas, com dificuldade de ganhar peso e que ficam sonolentas durante o dia. Esses são alguns sinais que aparecem quando não se tem uma boa noite de sono. Segundo o médico especialista em distúrbios do sono da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Reimão, que esteve em Londrina participando do Serão de Pediatria na última segunda-feira, existem diferentes tipos de problemas na criança relacionados ao sono.
A Apnéia é o distúrbio que causa maior preocupação porque a criança pára de respirar durante a noite e, como consequência, pode até morrer. Um dos indícios que pode levar a mãe a suspeitar que seu filho sofre de apnéia é o ronco. ''Não é normal a criança roncar'', informa Rubens Reimão. Outro sinal é quando a criança se mexe demais durante a noite. Segundo o médico, ela se mexe porque está sufocada e é preciso encaminhá-la para o pediatra e, quando necessário, realizar cirurgia. Se a criança não dorme bem, ''não consegue secretar o hormônio do crescimento, que tem maior atividade durante a noite, e por isso fica pequena e não ganha peso'', explica Reimão.
O Sonambulismo é o distúrbio mais comum, 30% das crianças apresentam algum episódio durante a infância. Ele acontece inicialmente em crianças com três a quatro anos e tende a desaparecer aos 10. A única causa de preocupação é com acidentes. ''A criança pode cair e se machucar, por isso é aconselhável que ela não fique perto de escada, janela e nem durma em beliche quando for sonâmbula'', alerta. Mas não é necessário fazer nenhum tipo de tratamento. Não há perigo em acordar um sonâmbulo, mas a criança pode ficar confusa ao despertar de repente. Por isso Reimão aconselha que quando os pais encontrarem seus filhos nessa situação os conduzam de volta à cama.
Quando a criança grita durante a noite, apresentando inclusive ''face de terror'', é um sinal do Terror Noturno. Reimão diz que geralmente isso está ligado ao emocional da criança e acontece durante o sono. Apesar da criança demorar para se acalmar, ela não se lembra de nada no dia seguinte. Cerca de 5% das crianças entre três e 10 anos apresentam esse distúrbio.
O pesadelo também tem causa emocional. ''Ele está ligado a episódios de tensão do dia a dia da criança'', salienta o médico. Não há motivo para preocupação, mas quando os pesadelos são frequentes é aconselhável que os pais procurem um psicólogo para tratar da criança. Quando a criança acorda assustada pelo pesadelo, Reimão orienta que os pais a levem de volta para a cama, a acalmem, deixem o ambiente com um pouco de luz e a criança sozinha quando adormecer.
Um outro distúrbio é a insônia e, segundo o médico, está diretamente ligado ao relacionamento dos pais com o filho. ''É uma doença da constelação familiar. Pode estar tendo uma atenção exagerada e é preciso que a mãe coloque limites na criança, que mude seu comportamento quando ele estiver sendo prejudicial neste sentido'', pondera. Entre 8 meses e 1 ano e meio de idade essa insônia leva o nome de Insônia do Lactente. Reimão diz que a mãe não pode atender prontamente a criança sempre que ela chora, mas estabelecer limites para a atenção. Caso contrário, a criança vai chorar a noite todo querendo atenção.
O tempo de sono depende da idade e do metabolismo da criança. De maneira geral, o médico afirma que um recém-nascido dorme 16 horas por dia. Com o passar dos anos, esse tempo vai diminuindo e aos 5 anos o normal é que a criança durma 10 horas; aos 10 anos, 9 horas e na adolescência chegue a 8 horas de sono diário. ''O importante é que o número de horas seja suficiente para a pessoa passar bem o dia'', ressalta.

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