CRESCIMENTO VERTICAL - R$ 200 mi serão investidos em Londrina
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terça-feira, 17 de julho de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
A construção civil é um dos setores que mais geram empregos e vem crescendo no Brasil nos últimos anos. O empresário Raul Fulgêncio diz que o crédito imobiliário tem um bom espaço para crescer no Brasil. ''No Chile, por exemplo, ele representa 17% do Produto Interno Bruto (PIB), no Brasil, 2%. Ainda há muito para crescer.'' Segundo ele, Londrina reflete o bom momento, que acredita será duradouro. Fulgêncio defende que o londrinense precisa melhorar a auto-estima e observar os investimentos. ''Basta andarmos por Londrina para verificar o número de obras, nunca locamos tantos imóveis comerciais como agora.'' Para ele, ''Londrina reage bem às coisas tanto para o mal, como para o bem.''
Como avalia o mercado imobiliário?
Estou há 35 anos neste ramo e nunca vi uma fase como essa. Nos últimos 4, 5 anos o mercado vem em um crescendo permanente. Há fundos de pensões europeus, norte-americanos que querem entrar no Brasil, fundos com US$ 20 bilhões; se os europeus e norte-americanos estão colocando dinheiro é porque a perspectiva é muito boa. Além disso os bancos estão nos procurando para financiar os empreendimentos. Existe o financiamento direto das construtoras e, o mais importante, há uma carência de moradia. E o maior mercado, que não trabalhamos até o momento, vai ser o de baixa renda, apartamentos de 70, 80 metros, com valor da prestação igual ou inferior ao aluguel. Não há mais a insegurança de não saber quanto se vai pagar, pode-se fazer um planejamento.
É um movimento duradouro?
Sim, vai permanecer por muitos anos, enquanto durar a estabilidade econômica Há também a definição de regras claras para o mercado. A alienação fiduciária, por exemplo, é garantia para quem investe. Além disso, houve uma depuração do mercado, permanecendo só os que têm estrutura. Há muito espaço para crescer.
Percebem uma demanda?
Exatamente. Lançávamos dois, três prédios por ano. Neste ano, estamos lançando oito. Isso dá a dimensão do mercado. O que estamos lançando é o que o mercado anseia, porque temos uma leitura permanente dentro da empresa, conseguimos detectar o que o cliente tem procurado, grande parte dos empreendimentos já está reservada.
Qual é a média de investimento?
Vamos lançar, com as duas empresas que representamos, neste segundo semestre, aproximadamente R$ 110 milhões em produtos. Tenho certeza de que será mais que isso pelo que estamos sentindo do mercado, no ano todo serão cerca de R$ 200 milhões. Somente o Marco Zero, que será anunciado em breve, vai demandar um investimento de R$ 360 milhões.
Londrina é um bom mercado apesar de todas as reclamações que ouvimos da população sobre o abandono da cidade?
Prospecto o mercado em boa parte do Brasil. Não conheço uma cidade parecida com Londrina. Infelizmente, estamos com complexo de vira-lata, como dizia Nelson Rodrigues. Não sei o porquê. Sou do tempo em que se comparava Londrina a Curitiba, depois se começou a comparar com Joinville, agora, pasmem, estão comparando com Maringá. Daqui a pouco vão comparar com Rolândia. Talvez tenhamos tido administrações públicas muito populistas que não cuidaram da auto-estima da população e, por termos essa cultura de que tudo o Estado tem de fazer, nos acomodamos. Londrina tem qualidade de vida maravilhosa. Claro que tem violência, mas está no Brasil inteiro. Não se pode compactuar mesmo, tem de protestar, tem de acabar com a violência, mas não é privilégio nosso. Temos ótimos restaurantes, muitas instituições de ensino superior, dois campos de golfe, um ótima vida noturna, bares, opções de lazer. Do que temos carência é de lideranças positivas. Mas a cidade cresce apesar de tudo.


