Crescimento sem inflação - Editorial
Crescimento sem inflação
Um resultado importante revelado pela pesquisa nacional da CNT/Vox Populi (que teve pouco destaque por causa da importância dada para a continuada queda de popularidade do presidente FHC) diz respeito à questão da inflação. Ali, se revela que a maioria da população (57%) é favorável a eventuais novos sacrifícios para manter baixa a taxa inflacionária. Este dado mostra claramente o crescimento efetivo da conscientização de cidadania entre os brasileiros, que estão bem mais esclarecidos sobre a questão.
A inflação foi um verdadeiro flagelo para o país, agravando-se de modo tal que só não provocou um caos social por causa de instrumentos usados pelas autoridades para reduzir o impacto da corrosão que a moeda sofria a cada mês (e, nos últimos tempos, a cada dia). Não fosse o truque da correção monetária, surgida como uma espécie de meio de se tentar criar a convivência entre inflação e crescimento econômico, e depois a indexação, que se tornou um fator quase que natural na vida do brasileiro, as consequências da degringolada inflacionária seriam tenebrosas. Ainda assim, as perdas para a grande maioria e os vícios que se introduziram na vida nacional, como resultado da bagunça econômica, deixaram fundas e perniciosas marcas.
Os primeiros resultados do plano de estabilização da economia mostraram por si como é importante uma economia estável. Para a faixa mais sofrida, a simples queda dos índices inflacionários representou um ganho real. Os assalariados, os pobres, todos quantos não podiam se beneficiar da ciranda financeira, sentiram desde logo a melhoria na sua condição de vida. Não se atingiu ainda uma situação realmente aceitável do ponto de vista social, há uma ponderável parcela de brasileiros vivendo na faixa da miséria, mas a percepção de que houve melhoras em função da mudança é vital. Do mesmo modo, a visão da maioria, que sente dificuldades mas não quer a ilusória solução da volta inflacionária como meio de aquecer a economia, evidencia uma saudável evolução.
A opinião do economista norte-americano Albert Fihslow, que falou a empresários na Abras-99 (e que foi mestre do ministro Pedro Malan) coincide com esta idéia e é mais um reforço nesta nova etapa da vida brasileira. O especialista foi enfático ao contestar a idéia segundo a qual um pequeno aumento na inflação permitiria a volta do crescimento econômico. Não é assim que funciona, ele afirmou, lembrando que esta teoria custou uma inflação de 4.000% na década de 80. É importante que esta idéia seja amplamente divulgada e, mais ainda, é valioso perceber que já existe no País uma maioria que percebeu a falácia da tese inflacionista. A partir desta conscientização, boa parte da população evidencia estar em condições não só de assumir eventuais novos sacrifícios, mas também indica que percebeu que o caminho que vem sendo seguido abrirá melhores possibilidades em futuro não muito remoto.
É indubitável que o País reclama ações capazes de propiciar o reaquecimento da economia, uma necessidade flagrante para resolver muitos dos graves problemas sociais com que o Brasil se defronta. O que se pode fazer, porém, sem buscar meios inflacionários é buscar alternativas que propiciem o comentado crescimento auto-sustentado. E há alguns bons indicadores sobre tais rumos. O aumento da produção agrícola, a política de derrubada dos juros, as mudanças que se tentam fazer nas leis, estes são alguns dos exemplos de uma diretriz efetiva para os atuais desafios nacionais. É por esta direção que se devem buscar as soluções para as realmente enormes (mas superáveis) dificuldades que o Brasil enfrenta.





