EditorialCrescimento paranaense
Nos famosos anos 60, época do ‘milagre brasileiro’, o Paraná viveu um período de crescimento substancial. Investimentos públicos em estradas e energia resultaram em efetivo desenvolvimento, acoplado a uma nova tendência de unidade, que não existia no Estado antes daquela fase. A melhoria da situação no Estado foi grande e, para não fugir ao ufanismo que marcou o período, surgiu até um slogan no sentido de se levar o Paraná ao segundo lugar dentre as unidades federativas do país, uma tarefa difícil, apesar de todo o otimismo.
De fato, com as mudanças que surgiram na própria vida brasileira, com a recessão que marcou principalmente os anos 80, as idéias de um salto tão grande foram até esquecidas. As dificuldades gerais que o país enfrentou em todo este período se refletiram, naturalmente, no Paraná. Entretanto, as bases lançadas nos anos 60, ao lado de uma inegável coragem para enfrentar desafios que faz parte da própria mentalidade do cidadão paranaense, serviram como pontos de apoio importantes para que o Estado mantivesse boa situação econômica, em comparação à realidade de outros Estados. E a revelação de que o PIB (Produto Interno Bruto) do Paraná conseguiu agora, pela primeira vez na história, superar o do Rio Grande do Sul, tornando-se a quarta economia do País, revela importante avanço em um momento de definições para a vida brasileira.
A questão hoje não se centra em algum tipo de regionalismo que pouco ou nada produz. O que há é a percepção do resultado de um trabalho que dá frutos, naturalmente. O fato de neste momento o PIB paranaense ter superado o índice gaúcho não deve ser colocado em termos de vitória ou vantagem de um sobre outro Estado, mas como resultado de atividade intensa, um esforço real na busca de caminhos concretos de crescimento. Não importa tanto saber se o PIB paranaense é maior que o gaúcho, ou se estamos longe ou perto dos outros Estados. O que vale é o efeito positivo do resultado como indicativo da retomada real do processo de crescimento, que constitui exigência para a solução dos problemas humanos e sociais que todo o país enfrenta.
O mais importante nesta informação é o fato de que o Paraná chegou a este ponto de modo natural. E embora seja possível uma reversão, como evidentemente desejam as autoridades gaúchas, é certo que o Paraná tem amplas condições de manter esta situação e melhorá-la. Existem, como assinalou o secretário do Planejamento do Estado, Miguel Salomão, condições básicas que produziram este resultado e que são também fundamentais para sua manutenção. O resultado de hoje é fruto do trabalho que foi se efetivando ao longo dos anos, a solidificação de um processo que pode e deve continuar, inclusive produzindo frutos e benefícios para os paranaenses.
Na verdade, esta é a maior e mais importante preocupação: a da situação do povo. Progresso, crescimento, desenvolvimento não são apenas palavras, mas refletem realidades e só se justificam se forem distribuídas. O Paraná cresceu e atingiu agora este estágio como resultado da luta, do sacrifício, da dedicação de um povo que tem realizado muito em termos de crescimento econômico. Esta gente paranaense, que é hoje a soma dos brasileiros que vieram de todo o país, de estrangeiros que chegaram de todas as partes do mundo, é a responsável primeira por este avanço. E deve ser também a destinatária final destes resultados. Usando as condições concretas que tem e mantendo o respeito ao seu povo, o Paraná terá como manter esta posição e marcar ainda resultados melhores no futuro.

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