O fim de semana foi de alegria para pelo menos um apostador da Mega-sena em Londrina. Ele ganhou R$ 5.698.505,42 sozinho. O anônimo, que deverá continuar anônimo por questão de segurança, apostou nos números 7,8,22,27,29 e 42, seu prêmio é cerca de o dobro do que cada um dos apostadores ganhou na semana retrasada, quando um bolão de 49 pessoas – formado por assessores do PT em Brasília – faturou R$ 120 milhões, o que significou R$ 2,45 milhões para cada um.

As apostas, de qualquer natureza, exercem um fascínio incontestável sobre as pessoas. Na falta de dinheiro num momento de dificuldade familiar, num caso extremo de saúde, na hora em que a economia não corresponde aos investimentos feitos pelas empresas a duras penas, quem nunca sonhou em ganhar uma bolada e resolver tudo de vez?

No início do século XX , os jogos eram considerados ilegais em quase todos os países. Só a partir dos anos 1960 cassinos e lotéricas foram regulamentados por vários governos que começaram a levantar fundos adicionais através dos impostos provenientes dos jogos.

Hoje, no Brasil, há uma gama de apostas para todos os gostos e palpites, mas matemáticos apontam que a chance de ganhar na Mega-sena – uma das loterias mais cobiçadas pelos brasileiros – é de 1 para cerca de 50 milhões. Mas, à base da dita 'fezinha', milhões de pessoas seguem apostando toda semana, o que não é ruim para o País, já que os impostos arrecadados são revertidos também para programas sociais e de infraestrutura.

O fato é que ganhar na loteria é a mágica que todos esperam na hora em que os prejuízos são bem maiores que os ganhos. A última mega da virada, de 2018 para 2019, com prêmio de R$ 280 milhões, ocasionou uma corrida às lotéricas, um dos motivos era o horizonte nebuloso da vida econômica brasileira. O noticiário aponta que o sucesso da Mega-sena, criada em 1996, está muito relacionado a momentos de crise e isso já foi confirmado pelos próprios porta-vozes da Caixa.

Para se ter uma ideia, a Caixa arrecadou R$ 13,85 bilhões em 2017, este número teve um crescimento de 17% em 2018. A Mega-sena, Lotofácil e a Quina representam 85% do volume das loterias.

Para quem gosta de apostar de forma mais segura, embora para a maioria da população isso ainda pareça ser meio mágico, restam também outros soluções como a compra de moedas virtuais, como Bitcoin. Matéria publicada na FOLHA neste fim de semana, no caderno Mais, aponta que uma unidade de Bitcoim avaliada em R$ 145,78 em abril de 2013 chegou valer cerca de R$ 63 mil em 2017 e sua cotação, com algumas variações, continua muito alta.

O problema é que nem todos são tão sortudos para ganhar na Mega, nem tão preparados para apostar nas moedas virtuais que se consolidam como campeãs em ganhos num mercado futuro, nem tão futuro assim. As criptomoeadas já são uma realidade para muitos brasileiros e outros investidores do mundo. Mas nosso problema de base continua muito longe dos sonhos e das soluções paralelas: pesquisas recentes, como a da Catho, divulgada em abril de 2019, mostra que a média salarial do brasileiro é R$ 2.340,00. É com este dinheiro que a maioria tem que responder às demandas de moradia, alimentação, transporte, saúde etc.

Deste total, a maioria está concentrada na região Sudeste, seguida pelas regiões Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, numa escala decrescente conforme os ganhos vão minguando até bater no salário mínimo ou nem isso para milhares de pessoas. A potência industrial é o que determina os melhores salários. Assim, não custa lembrar que é mais factível apostar no crescimento real do País do que nas soluções complexas ou mágicas.

Este crescimento é o que a FOLHA deseja aos seus leitores e a todos os brasileiros.

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