Crescimento econômico ou especulação
José Luiz Boabaid
A potencialidade econômica do Brasil não tem limites. Há um clima permanente de desenvolvimento dos negócios, especialmente depois do advento da economia globalizada, que faz do País potência emergente do terceiro milênio, mesmo que as adversidades do processo de ajustamento da política econômica sejam desafios constantes. Essa potencialidade empresarial é, com certeza, o grande trunfo que a nação brasileira tem para se inserir em nível de grandeza na economia mundial.
Essa é uma questão que deveria ser analisada, comentada e propalada de maneira prioritária nos segmentos formadores de opinião, principalmente a mídia, como fator motivador e promocional do moderno desenvolvimento brasileiro. Infelizmente, pouco se fala, pouco se comenta a respeito, dando-se lugar às informações sempre alarmantes em torno da movimentação do mercado de capitais que, via de regra, acabam induzindo negativamente o comportamento empreendedor da sociedade produtiva diante da ameaça demoníaca dos capitais especulativos, que circulam pelo mundo em busca de lucro fácil tratando as moedas como se fossem simples ‘‘comodities’’, quando, em verdade, o que deveria ser levado em conta é a capacidade produtiva do empresariado juntamente com os trabalhadores. Essa capacidade é a verdadeira mola propulsora do desenvolvimento.
Deve-se compreender que o mercado de capitais é apenas um dos segmentos da moderna economia, realmente necessário do ponto de vista dos investimentos de um País de reduzida poupança interna. Mas, altamente improdutivo na formação de uma verdadeira cultura desenvolvimentista, porque não privilegia o trabalho, o talento e a criatividade. Ao contrário, simplesmente usufrui, obtendo dividendo que consome o suor e o esforço daqueles que realmente produzem mesmo diante dos riscos que essa visão de política econômica impõe à sociedade empresarial produtiva.
Neste momento em que se processam as reformas estruturais no âmbito do Executivo e Legislativo, é importante que a sociedade organizada, em especial as entidades representativas dos segmentos empresariais e de trabalhadores, pressionam por decisões que realmente venham a criar condições para o trabalho e o crescimento econômico, ao contrário de manter e até ampliar uma regulamentação que privilegia a cultura da agiotagem mantendo as taxas de juros em patamares insuportáveis e colocando os setores produtivos em uma verdadeira camisa-de-força.
Os especialistas em política econômica argumentam que sem um nível adequado de poupança interna não há como o País se livrar da ganância dos capitais especulativos, que passeiam prazeirosamente pelas economias ainda em processo de formação, como é o caso do Brasil. Mas é possível que, de maneira gradual, a orientação da política econômica seja no sentido de abrir espaço para o crescimento econômico sustentado na potencialidade produtiva do empresariado nacional, ao invés de se manter academicamente rígida na direção do mercado de capitais temendo que a inflação recupere o fôlego. É visível que a sociedade brasileira já se livrou da cultura da especulação. O Brasil só cumprirá seu destino de potência no futuro próximo se produzir uma verdadeira cultura desenvolvimentista, que só segue por um caminho, o do crescimento econômico.
Por isso é importante que o terrorismo desencadeado em torno da movimentação das bolsas de valores seja absorvido como matéria casual, ao contrário de ser como se apresenta, o fator primordial na medição do desenvolvimento econômico deste ou daquele país, já que se trata de uma questão visivelmente orquestrada, maquiavelicamente elaborada, para atender os interesses particulares de núcleos de agiotagem e picaretagem que perambulam pelo mundo em busca do lucro fácil, em detrimento da produção e do desenvolvimento econômico. Perder o sono simplesmente porque a bolsa de Hong Kong quebrou, significa reconhecer que a incapacidade e a falta de senso econômico permeiam a visão evolutiva de uma nação, como o Brasil, que se diz competente, se projeta como potência emergente do Terceiro Milênio.
- JOSÉ LUIZ BOABAID é empresário e vice-presidente de Comércio da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (FACIAP).

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