Um dos caminhos para diminuir a criminalidade é, sem dúvida, a participação da sociedade, e as fórmulas de tomar parte nesse processo são múltiplas. Durante o Congresso de Criminologia, que acaba de se realizar em Londrina, dedicou-se um painel sobre a alarmante questão local da violência, e foi acerca dessa política participativa que se tratou. Mas alguns detalhes fundamentais não foram discutidos, até porque o tema é vastíssimo, mas é certo que, diminuindo-se a pobreza, diminui-se também a delinquência.
E para diminuir estados de miséria social será preciso investir no desenvolvimento econômico, que gera empregos, porque quando um chefe de família e os seus membros adultos estão também empregados, cai a tendência para os atentados contra o patrimônio alheio. As cadeias são necessárias para isolar, no momento, os delinquentes já em operação - vítimas justamente das situações atuais de miserabilidade, entre outros males - mas o caminho a seguir será o de emancipar essa gente marginalizada ou bem próxima disto, hoje um contingente de 40 milhões no Brasil, segundo a estatística oficial. Emancipar significa proporcionar trabalho digno e bom ganho a esses patrícios. O mais, eles mesmos proverão para si, sem necessidade de assistencialismo.
É aí onde entram os governos e a sociedade, porque o primeiro tem de abrandar suas políticas, que são inibidoras do desenvolvimento, por causa dos pesados impostos e dos altos encargos (sobretudo sobre os salários) e da inadequada e leonina legislação trabalhista. Na continuidade, devem entrar os sindicatos e as demais frentes sindicais, eliminando o unilatelarismo classista e discutindo mais amplamente - com os governos e a classe patronal - fórmulas de convivência harmoniosa entre capital e trabalho. E a sociedade como um todo (empresas e cidadãos), que é a que emprega, esta precisa no mínimo preservar os empregos existentes. Sem sacrifícios de parte a parte não se combaterá a pobreza, patrona das revoltas sociais e da violência.
Não existe no Brasil, ainda, uma compreensão ampla acerca dessas fórmulas, mas não há como fugir delas. O policiamento é necessário, porque foi-se deixando o mal instalar-se e os delinquentes precisam ser afastados do meio e ressocializados, custe o que custar. Mas aos jovens miseráveis que vão chegando à idade do emprego (muitos já envoltos na prática de delitos) será preciso proporcionar-lhes educação escolar e ocupação remunerada, para não permitir que sejam tentados para o roubo e a violência. Não é, obviamente, tarefa para resultados imediatos. Predomina ainda um certo anseio de vingança social contra esses marginais, muitos deles perigosíssimos, mas sem uma política de melhoria das condições sociais desses excluídos será aguardar o pior, quando talvez seja tarde demais, pelo descontrole.

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