Crescimento econômico
O temor mundial ante uma previsão de desaceleração do crescimento econômico da China consolida uma nova ordem. Considerada um dos grandes motores da economia, os chineses foram ganhando espaço a partir da industrialização incentivada com subsídios governamentais e utilização de mão de obra barata, o que tornou os seus produtos extremamente competitivos. A fórmula deu certo, tanto que Europa, Estados Unidos, Japão e Brasil serão afetados com um desquecimento da economia chinesa.
Nesta semana o anúncio de uma redução da meta do Produto Interno Bruto (PIB) chinês de 8% para 7,5% foi o suficiente para fazer as principais bolsas de valores do mundo caírem. O argumento é que Pequim não pode continuar muito dependente do comércio externo e que, portanto, precisa incentivar o consumo local. A China é o principal destino das mercadorias brasileiras destinadas à exportação, sendo em sua maioria commodities, como minério de ferro, soja e petróleo. Desta forma, o anúncio indica também que o Brasil terá que buscar novos parceiros comerciais.
Tarefa, aliás, que precisa ser executada com urgência. O PIB nacional registrou novamente crescimento pífio: 0,3% no quarto trimestre. Embora pequeno, o resultado é considerado positivo, uma vez que no terceiro trimestre houve um recuo de 0,1%. No ano, a economia cresceu 2,7%, bem abaixo da estimativa inicial do governo de 5%. Além disso, análises do Banco Central indicam que o desempenho foi amparado na demanda doméstica, a partir da expansão do crédito e da geração do emprego e da renda.
Por isso, uma das medidas já estudadas - e que precisam ser estimuladas - é a ampliação de linhas de financiamento por meio do BNDES para incentivo de setores que perderam competitividade a partir da concorrência chinesa e da crise externa. Não é novidade que a produção é extremamente onerada com impostos e encargos, que precisam ser revistos. Talvez seja o momento de reavaliar seriamente a carga tributária, como forma de estimular o crescimento do País até porque o momento é de crise.





