Mais uma vez o crescimento do agronegócio sustentou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, divulgado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O segmento foi um dos poucos a apresentar crescimento (3,2%), ante uma queda no índice industrial (-0,9%), nos serviços (-0,3%) e no consumo das famílias (-0,1%). A agropecuária mais uma vez mostrou sua força e se confirma como um dos sustentáculos da economia. Ainda vocação econômica, os resultados demonstram que o setor merece incentivos porque é de fundamental importância para garantir os índices internos.
No entanto, o demonstrativo parcial do PIB registrado reflete uma série de medidas adotadas internamente pela equipe econômica, desde o final do ano passado, como o aumento da taxa Selic para conter a inflação e a redução do volume de recursos destinados ao crédito. Somado a esse cenário interno, houve interferências externas que, naquele período, indicava um agravamento da crise na Europa, o que foi confirmado. Outro fator foi a decisão do governo de conter despesas e reduzir investimentos, que caíram parcos 0,7%.
Enfim, no início do ano a expectativa era de um crescimento de 4,5%, mas especialistas rebaixaram suas projeções para 3% ou menos. Para tentar reverter o cenário, a partir do último trimestre, o governo federal modificou suas ações, com a redução dos juros básicos e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns eletrodomésticos, a chamada ''linha branca'', além de disponibilizar mais recursos para o crédito.
Essas ações são positivas, mas não suficientes para fazer voltar a crescer a economia, uma vez que seus efeitos ocorrem a longo prazo. Para fechar o ano com o crescimento estimado de 3,2%, seria preciso atingir o índice de 1,5% nestes últimos quatro meses do ano, o que atualmente parece improvável. Para 2012, a estimativa do Ministério da Fazenda é de um crescimento de 5%, o que também soa despropositado, considerando o cenário atual. É preciso de fato estimular investimentos e incentivar o consumo, que já se firmaram como um dos pilares do crescimento interno. Outro fator é a contenção dos gastos públicos, ação também longe de acontecer dado o comportamento previsível das administrações públicas.

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