A taxa de desemprego teve uma pequena melhora entre o primeiro trimestre encerrado em fevereiro de 2017 e o mesmo período de 2018, mas ainda é cedo para falar em recuperação de fato da economia brasileira. Segundo os dados revelados pela Pnad Contínua, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desocupação passou de 13,2% entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017 para 12,6% entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018. Por outro lado, houve um pequeno aumento da desocupação no trimestre encerrado em novembro de 2017 em comparação com os três meses seguintes: de 12% para 12,6%. É certo que alguns indicadores do mercado de trabalho melhoraram, mas o número de desempregados ainda é muito grande no País. São mais de 12 milhões de pessoas.
Esse número pode ser maior, se for acrescentada à soma a população subocupada e a chamada população desalentada, que faz parte da força de trabalho potencial (pessoa com idade para trabalhar), mas que por um motivo ou outro não procurou emprego no período da pesquisa. Levando esses indicadores em consideração, o índice pode até dobrar.
É preciso levar em conta também que o aumento da ocupação está bastante voltada ainda para a informalidade. O IBGE calcula que, atualmente, quase 40% da força de trabalho no Brasil estão na informalidade, incluindo trabalhadores por conta própria, sem carteira assinada no setor privado, trabalhador familiar auxiliar e pequenos empregadores. Ainda conforme dados do instituto, esse número era entre 33% e 34% antes da crise, deflagrada em 2014. A Pnad Contínua revelou também que dois setores importantes para a economia dispensaram trabalhadores no trimestre encerrado em fevereiro. A indústria eliminou 244 mil vagas, enquanto a construção demitiu 277 mil empregados. O desemprego é um dos aspectos mais cruéis da recessão econômica. Em ano de eleições, o emprego, certamente, aparecerá como bandeira de muitos candidatos. Cabe ao eleitor conseguir avaliar as promessas dos projetos reais, lembrando que a criação de novos postos de trabalho está bastante atrelada a decisões políticas realmente sensatas.

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