O aumento do emprego e da renda dos brasileiros e a consolidação dos programas sociais contribuíram para ampliar a chamada classe C, parcela da população com rendimento médio de R$ 1.450. Pesquisa divulgada nessa semana pela Cetelem BGN, empresa do grupo BNP Paribas, mostra que o grupo já soma 54% dos brasileiros, o que totaliza mais de 103 milhões de pessoas.
Sem dúvida, esse é um fator positivo. Indica que houve uma melhora na qualidade de vida e que a população está vivendo com mais conforto, uma vez que o levantamento mede a posse de bens como eletrodomésticos, veículos, quantidade de cômodos na casa e grau de instrução do chefe de família. Não é por menos que a classe C tem praticamente dominado as atenções do varejo. Interessada em novos produtos e serviços e com disposição para gastar, essa parcela da população tem contribuído para manter a demanda aquecida e para amenizar internamente os efeitos da crise econômica europeia.
Tanto que o governo federal já tomou medidas para estimular o consumo, que beneficiam diretamente a população, como a redução da Taxa Selic e a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de eletrodomésticos da chamada linha branca. Nessa semana, inclusive, foi anunciada a prorrogação do benefício por mais três meses. Anunciado em dezembro do ano passado, a isenção acabaria no próximo dia 31 e, neste período, as vendas registraram aumento de 22,63%, na comparação com os mesmos meses.
Medidas como essas também são fundamentais para o País. Ainda que a isenção seja pequena e atinja poucos produtos, a carga tributária brasileira - uma das mais altas do mundo - é reduzida. E isso é traduzido diretamente em benefícios à produção e à população. Também deve-se ressaltar que a isenção de impostos e tributos deveria ser estendida a vários outros setores, que poderão contribuir para que o Brasil passe mais facilmente por esse período de turbulências. Tributação justa e expansão do crédito são desafios para os próximos anos.

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