Crescer e qualificar
Com receita bruta de R$ 218,7 bilhões em 2024, o setor de serviços não financeiros colocou o Paraná na quarta posição nacional
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sábado, 29 de agosto de 2026
Com receita bruta de R$ 218,7 bilhões em 2024, o setor de serviços não financeiros colocou o Paraná na quarta posição nacional
Os números do setor de serviços ajudam a traduzir a dimensão da economia paranaense e, ao mesmo tempo, apontam para os desafios que o Estado precisa enfrentar para sustentar seu crescimento. Com receita bruta de R$ 218,7 bilhões em 2024, o setor de serviços não financeiros colocou o Paraná na quarta posição nacional, responsável por 5,7% do faturamento brasileiro. São mais de 153 mil empresas e 1,03 milhão de trabalhadores envolvidos em uma atividade que não pode ser vista apenas como complementar à indústria ou ao agronegócio. Ela é, por si só, um dos motores da economia estadual.
Os dados divulgados na quinta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por meio da PAS (Pesquisa Anual de Serviços) 2024. O setor injetou R$ 37,6 bilhões no pagamento de salários, retiradas e remunerações.
O desempenho é especialmente significativo porque confirma uma característica estratégica do Paraná: sua capacidade logística. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio responderam por R$ 75,7 bilhões, ou 34,6% da receita do setor. Não é por acaso. A localização geográfica, a força do agronegócio, a atividade industrial e a integração com outros mercados fazem do Paraná um território privilegiado para circulação de mercadorias e serviços.
Por outro lado, a maior força empregadora e a liderança em quantidade de estabelecimentos ficaram com o segmento de Serviços profissionais, administrativos e complementares. São 57.717 empresas (37,7% do total de empresas de serviços no estado), com 430,6 mil pessoas ocupadas (41,8% do total do setor), e receita de R$ 70,9 bilhões (32,4% do total).
Outros destaques em participação no faturamento incluem o segmento de Serviços de Informação e comunicação (14,8%) e os Serviços prestados principalmente às famílias (10,3%).
Mas uma economia que pretende avançar precisa transformar essas vantagens em um ciclo permanente de produtividade, inovação, geração de renda e melhoria da qualidade de vida.
Nesse sentido, vale observar os dados referente ao segmento de informação e comunicação. Embora represente parcela menor do faturamento, é justamente aquele que apresenta uma das maiores médias salariais. Isso demonstra a relação entre qualificação profissional, tecnologia e geração de valor. Quanto mais sofisticado o serviço, maior tende a ser sua capacidade de remunerar o trabalhador e ampliar a produtividade da economia.
O Paraná deveria, portanto, tratar a qualificação de mão de obra como uma política de desenvolvimento econômico, e não apenas como uma questão educacional. Universidades, escolas técnicas, empresas e poder público precisam trabalhar de maneira mais integrada para formar profissionais nas áreas que já são estratégicas — tecnologia, logística, engenharia, serviços especializados, inteligência artificial e gestão — e também naquelas que serão decisivas nos próximos anos.
Outro desafio é reduzir as desigualdades existentes dentro do próprio setor. A diferença entre a remuneração média dos trabalhadores de informação e comunicação e aquela observada em atividades imobiliárias é expressiva e revela que crescimento econômico, por si só, não garante distribuição de renda. O Estado precisa buscar o desenvolvimento capaz de gerar empregos formais, produtivos e com salários compatíveis com o custo de vida.
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Adriana De Cunto
Chefe de Redação da Folha de Londrina.


