Estudar no exterior é uma opção cada vez mais procurada por universitários brasileiros. A diferença agora é que os estudantes não se contentam mais com um semestre lá fora: na mochila, tem de haver espaço para, no mínimo, quatro anos de graduação.
O aumento no interesse por esse tipo de experiência foi constatado nos dois maiores eventos de intercâmbio acadêmico do país, o Salão do Estudante, que verificou um crescimento de 27% na procura por cursos universitários entre 2003 e 2004, e a ExpoBelta, que registrou aumento de 13% no mesmo período. Ambos são realizados em março, já que o período para a inscrição na maioria da faculdades - cujas aulas iniciam em setembro - termina em abril.
''A previsão para 2006 é uma alta de 60% nessa procura'', projeta Cecília Carneiro, diretora do Salão do Estudante.
O fenômeno tem várias causas, mas o foco principal é o profissional. No Brasil, o diploma estrangeiro mostra-se atraente para potenciais empregadores. Segundo Cecília Oliveira, da Intercâmbio Global, ''a procura está esquentando porque o mercado já valoriza a faculdade no exterior''.
A vantagem de ter um diploma estrangeiro ficou clara para Tathiana Pinotti, de 22 anos. Graduada em hotelaria pela Les Roches, na Suíça, ela foi contratada, há um mês, como coordenadora de eventos no Grand Hyatt São Paulo. ''O curso excedeu minhas expectativas, e o diploma, com certeza, fez diferença na contratação'', conta.
O diretor de recursos humanos que a contratou, Miguel Bermejo, afirma que a experiência fora do país é muito valorizada. ''Escolas do exterior trabalham competências como flexibilidade e comunicação, enquanto as brasileiras são mais teóricas. Ter estudado numa instituição que é referência mundial é um excelente cartão de visitas'', avalia.
Essa valorização do diploma é acompanhada pelo aumento de ofertas para fazer o curso superior fora. As operadoras investem em convênios com universidades estrangeiras a fim de atrair alunos. Do outro lado, as próprias universidades de outros países estão se interessando mais pelos estudantes brasileiros.
A Universidade de Newcastle, na Inglaterra, é um exemplo de instituição que tenta atrair mais brasileiros para seu corpo discente. Hoje, dos 17 mil alunos que possui, 3.000 são estrangeiros. Segundo Andrew Macrae, representante oficial da universidade, essa já é uma grande comunidade internacional, mas poucos são da América Latina. ''Temos interesse em Brasil, México e Argentina.''

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