Crédito caro nos bancos e atendimento precário
O Brasil é um paraíso para bancos e todo o sistema financeiro porque (no caso dos estrangeiros) o juro que cobram em seus países de origem é 10 vezes inferior ao de suas agências brasileiras. Seguem o padrão dos bancos brasileiros porque também para estes o Brasil é o lugar ideal para amealharem fortunas. E à custa do sistema produtivo que cai no buraco negro da necessidade de dinheiro, sem ter outra fonte de recorrência.
Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que o HSBC está operando neste começo de abril com juro de 6,65% ao ano no Reino Unido (sua sede mundial) e no Brasil de 63,42%; e o Santander, com sede na Espanha, opera com a proporção de 10,81% e 55,74%, respectivamente. Dez vezes mais. Para empréstimos à pessoa jurídica a diferença é menor, mas mesmo assim 4 vezes mais alta para os brasileiros. E nem poderiam agir de outra forma se encontram aqui o modelo de especulação dos iguais nacionais.
Não só o crédito é caro no Brasil como é precário o atendimento aos clientes. Porque, embora a ostentação das sedes luxuosas, não têm funcionários suficientes nos caixas - que assim lhe sobra mais lucro - gerando longas filas de espera, inclusive para os idosos, mulheres grávidas ou com crianças ao colo ou portadores de deficiência. A lei do conforto para a clientela não funciona nos bancos como coisa fundamental. Bancos e demais instituições do gênero são soberanos no Brasil, podendo cobrar juros exorbitantes - o mais altos do mundo - e tratar com indiferença os cidadãos que deles precisam. E hoje todos precisam, pois quase tudo têm de ser pago nos bancos. É por via do crédito que um país cresce e se desenvolve, mas não a estes juros. É um descalabro a remuneração da caderneta de poupança oscilar em torno de 0,70% (menos de 1%) enquanto é cobrado juro de 9%/mês no cheque especial. É o mesmo dinheiro com dois valores: o do povo e o dos bancos.
E o sistema bancário também não se preocupa com a salvação de empregos, pois diminuiu o quadro funcional com as fusões, pelo corte de agências. A licenciosidade para operarem com tais juros deixa os clientes com a sensação de impotência, mas é preciso saber que isto tem o consentimento do Governo. Uma reação inesperada do presidente Lula foi demitir o presidente do Banco do Brasil por resistir à baixa dos spreads. Só falta agora atacar os juros.
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