Crédito abundante. A que taxa?
O Banco Central está acenando com aumento na oferta de crédito em 2010 nas suas mais diversas modalidades, mas mirando principalmente para o consumidor. Disponibilizar financiamentos sem reduzir as taxas de juros é favorecer os bancos, como sempre. Mas o governo, desta vez, acena também com redução das taxas.
Mesmo que programas de incentivo à tomada de crédito tenham vida curta, a medida deve ser interpretada como uma nova configuração da política monetária. Até agora o governo seguiu o figurino tradicional: segurou a expansão do crédito e, consequentemente, o consumo usando o instrumento de política monetária mais elementar: os juros.
Juros altos, consumo inibido e inflação reprimida, como no velho jeitão ortodoxo, que os economistas keynesianos não aprovam. E os economistas de espectros ideológicos mais à esquerda, são discípulos dos discípulos de Keynes. Embora, quando se está no poder, tudo muda.
E dane-se a demanda reprimida. O negócio era garantir inflação perto dos 5 pontos, com direito a mascarar dados estatísticos até o limite ético, mesmo que para isso fosse necessário mudar a metodologia. Ou você muda o método ou manipula os dados. A inflação não pode aparecer porque incomoda.
Se o governo conseguir conciliar oferta abundante de crédito com juros civilizados e com inflação obediente terá sido um achado. Não há ano eleitoral que desequilibre o plano. Mas é uma equação difícil. Até porque tem outra variável na espreita, a política fiscal sempre jogando contra nessas ocasiões. Por que não incluir o câmbio? Porque o dólar está comportado.
O Banco Central está confiante. A carteira total de crédito deve ter expansão de 20% em 2010. Quatro pontos acima do patamar que projeta fechar 2009 (16%). Mas, para o comércio não sonhar muito alto quanto aos juros módicos prometidos, vai um aviso: maior oferta de crédito virá de bancos privados.
Mesmo assim, há mais motivos para comemorar do que em qualquer outra época. Lojistas nunca teriam vendido tantas meias e cuecas, peças da intimidade dos corruptos de esquerda e de
direita.





