Credibilidade era a maior virtude e marca da imprensa mundial. Nesses novos tempos, quando em nome da globalização, erros e equívocos são praticados pelos meios de comunicação, a cínica resposta é que o mundo mudou. A permissividade, a invasão abusiva e sem critério da privacidade. As informações inidôneas, as honras enxovalhadas, a mentira tendo força de verdade, fazem um cenário onde a opinião pública que busca a informação séria passa a ser a grande ludibriada.
O jornalista Bernardo Kucinski, profissional de longa vida pelas redações dos mais importantes jornais brasileiros, como ‘‘Jornal do Brasil’’, ‘‘O Globo’’, e ‘‘Folha de S. Paulo’’, hoje professor da USP, acaba de lançar o excelente livro ‘‘Jornalismo Econômico’’. Lecionando para a área de Comunicação, no seu texto crítico, investe contra o viés informativo-desinformativo que caracteriza a manipulação das informações econômicas pelos principais colunistas da área. Com as exceções de sempre, tipo Luís Nassif.
Credibilidade é a arma fundamental do verdadeiro jornalismo. A opinião pública não pode ser iludida por todo tempo. Quem perde com isso? Todos que cultivam os valores democráticos. Vejam esse exemplo: a revista ‘‘Newsweek’’, com uma tiragem de apenas 300 mil exemplares, distribuído por todo o globo terrestre, é hoje a publicação de maior credibilidade no mundo. É uma publicação liberal-conservadora, mas aberta à informação objetiva, séria, pesquisada, daí decorrendo o extraordinário prestígio que tem em todo mundo. Com 300 mil exemplares a ‘‘Newsweek’’ faz a cabeça do mundo.
Nunca se deve confundir credibilidade com popularidade. Outro exemplo: na Inglaterra o jornal sensacionalista do magnata Rudolph Murdoch ‘‘The Sun’’ tem uma tiragem diária de 5 milhões de exemplares, mas sua taxa de credibilidade é mínima. Faz o jornalismo de impacto, da denúncia a qualquer preço, dos escândalos das princesas Diana ou Sarah, dos atos de homossexualismo envolvendo figuras públicas. Além dos colunistas de ‘‘potins’’ por onde vazam verdades e mentiras em todas as latitudes.
Os dois exemplos nominados, oriundos da imprensa mundial, devem servir de alerta para nós, brasileiros. Nos Estados Unidos, o jornal de maior credibilidade é o ‘‘Washington Post’’ que tem tiragem limitada. E não é porque os seus repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein derrubaram, há duas décadas, o presidente Nixon, o vice Spiro Agnew e todo o governo. É porque continua a fazer do jornalismo de reportagens sérias a sua matéria prima fundamental. Infelizmente, no Brasil o que se busca copiar é o jornalismo superficial e sem conteúdo do ‘‘USA-Today’’, com tiragem de milhões de exemplares, mas destituído de qualquer credibilidade. Lamentavelmente em alguns grandes órgãos da imprensa nacional, o ‘‘Today’’ está tendo força bíblica. Uma tristeza.

mockup