CREDIBILIDADE - Igreja é uma das instituições mais confiáveis
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de janeiro de 2011
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
No final do ano passado, a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV/SP) divulgou a pesquisa ''Índice de Confiança na Justiça'', apontando as instituições mais e menos confiáveis pela população brasileira. A Igreja, que estava na sétima posição no ano anterior, passou a ser a segunda instituição mais confiável pela sociedade, perdendo apenas para as Forças Armadas. O Judiciário, assim como a polícia, ficou em uma situação desconfortável.
A pesquisa apontou ainda que 20% da população confia no Congresso Nacional; 44% nas grandes empresas; 41% no governo federal e 41% na imprensa escrita. Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira, os índices de confiança são reflexo da consolidação do Estado Democrático.
Segundo ele, a Igreja foi bem avaliada por ser uma instituição antiga, tradicional e ligada aos valores religiosos. Nesta entrevista, Oliveira discute os resultados e afirma que a alta carga tributária e o baixo retorno em serviços resultam em índices maiores de confiança desfrutados na iniciativa privada em comparação com o poder público.
Pesquisa realizada pela Escola de Direito da FGV/SP mostrou que a população considera a Igreja a segunda instituição mais confiável, atrás das Forças Armadas. O que explica esse resultado?
A Igreja é uma instituição antiga, tradicional e ligada aos valores religiosos. Por mais que haja problemas individuais, a instituição continua com um alto grau de credibilidade devido ao seu passado. O mesmo acontece com as Forças Armadas. A instituição está ligada à soberania nacional, sendo bem avaliada pela população.
O debate sobre aborto, que está com forte presença na mídia desde a campanha presidencial, influenciou no aumento do índice de confiança na Igreja, que passou do sétimo para o segundo lugar?
Sim. As instituições religiosas sempre têm sua base de apoio. No Brasil, grande parte da população é ligada à Igreja, não só a Católica, como também a Evangélica. Ainda há um grande respeito pela Igreja e pelo fenômeno religioso.
O Judiciário, por sua vez, ficou em uma situação desconfortável, assim como a polícia. O que explica a falta de confiança da população diante dessas instituições?
O Judiciário é mau visto devido à morosidade e aos privilégios. Os salários são elevados e a produtividade é baixa. A Justiça, além de lenta, muitas vezes é ineficiente. A polícia fica em uma situação desconfortável em razão do aumento do criminalidade, da violência e da corrupção.
As grandes empresas têm a confiança de 44% da população e o governo federal de 41%. Por que a imagem do setor privado é melhor do que a do setor público?
O governo federal cobra muitos impostos e tributos em troca de serviços que precisam melhorar bastante. Já as empresas privadas, muitas oferecem um bom atendimento, apresentam produtos e serviços de qualidade, demonstram preocupação com o consumidor e, além disso, a tradição que muitas têm no mercado também contribui para que a avaliação seja mais positiva.
A pesquisa indicou que 44% confiam nas emissoras de TV e 41%, na imprensa escrita. Qual é a sua avaliação sobre a credibilidade dos jornalismo brasileiro?
A credibilidade do jornalismo vem melhorando, mas perdeu muito no ano passado quando teve um posicionamento partidário durante as eleições. Muitos veículos defenderam de forma parcial algumas candidaturas. E, como algumas dessas candidaturas perderam, ficou claro que a população não se deixa levar tanto pelos veículos.
Os índices de confiança são reflexo da consolidação do Estado Democrático de Direito registrada nas últimas décadas no País?
Sim. A sociedade que tem direitos sociais, políticos e humanos garantidos deve medir o grau de confiança que tem nas instituições. E é justamente na democracia que as instituições são avaliadas e tem a oportunidade de melhorar a atuação.


