Crack: epidemia nacional
As drogas sempre estiveram presentes no País. No entanto, nunca houve um escancaramento da situação, como ocorre atualmente. E a escalada do consumo, e aí pode-se incluir as bebidas alcoólicas, foi acontecendo de forma gradual. Os usuários deixaram de ser grupos pequenos e restritos, podendo ser facilmente identificados vagando por praças e ruas de qualquer cidade do País. Reportagem de ontem desta FOLHA mostrou a realidade do consumo do crack no Paraná, apontado como uma epidemia nacional.
Nos últimos anos, as apreensões de pedra da droga (uma mistura de pasta base de cocaína e bicarbonato de sódio), cresceram 2.300% no Estado, atingindo um total de 2,7 milhões no ano passado. Segundo a polícia, mais da metade das pedras foram recolhidas nos últimos três anos em 248 municípios, dos 399. Os dados mostram que o produto, de efeito devastador sobre os usuários, não se restringe a cidades grandes e não atinge apenas pessoas de baixa renda. Pelo contrário, especialistas afirmam que entre os usuários há homens e mulheres de todas as faixas etárias e classes sociais.
É correto afirmar que as políticas de combate ao consumo de drogas são falhas. Pouco se investe na educação contra o consumo dessas substâncias e no tratamento de dependentes químicos que, aliás, ainda sofrem preconceito por grande parte da sociedade. O Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack, lançado pela presidente Dilma Rousseff (PT), traz poucos detalhamentos da sua aplicabilidade e, para sua execução, devem ser destinados R$ 4 bilhões. O volume de recursos parece suficiente, no entanto, o problema é que nem sempre o dinheiro chega a seu destino final. Talvez seja preciso uma pressão da sociedade para garantir a aplicação dos recursos. É necessário investir em uma política de repressão ao consumo e de tratamento dos dependentes.
Outro fator, que não chega a ser uma novidade, é a falha fiscalização nas fronteiras do País. Se já está constatado que as divisas são a porta de entrada de drogas e armas por que o controle não é intensificado? É uma questão de difícil resposta, mas que precisa ser revista.





