Ainda que necessitando de acertos, que virão com as reformas, a economia brasileira trilhava, com mais segurança, o caminho da modernidade. Mas a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - CPMF - colidiu com as expectativas de uma estrutura financeira totalmente sadia e moderna. E a modernização da economia nacional, assim entendo, será caracterizada com a redução do chamado ‘‘Custo Brasil’’, isto é, o conjunto de encargos e despesas decorrentes das ineficiências conjunturais e estruturais que oneram a produção brasileira e reduz a capacidade competitiva do país.
Um dos componentes do ‘‘Custo Brasil’’ é justamente a elevada carga tributária, agora acrescida da CPMF. Trata-se de mais um ítem no cipoal de leis e regulamentações que travam o desenvolvimento do país, colocando um obstáculo na tentativa do empresariado de ser competitivo. Os empresários não buscam a competitividade meramente por benefício próprio, mas sim pelo desenvolvimento do Brasil, por uma distribuição de renda mais equânime, por um melhor relacionamento entre capital e trabalho, pela criação de empregos e pela eliminação dos bolsões de miséria no nosso país.
Os tributos, no entanto, incidem em cascata e punem, progressivamente, todos os segmentos da cadeia produtiva, chegando, voraz, ao bolso do consumidor. Soma-se, ainda, um custo de encargos sociais arrecadados com base na folha de pagamento, fazendo com que a mão-de-obra seja duas vezes mais cara, mas sem que o trabalhador seja beneficiado. Além disso, o custo financeiro aniquila o capital de giro das empresas e barram os investimentos, que poderiam criar novos postos de trabalho.
Soma-se ainda ao ‘‘Custo Brasil’’ a ineficiência portuária e estradas mal cuidadas que encarecem a produção nacional. As pistas ruins, aliás, provocam um dos maiores custos para um setor específico: o aluguel de carros. Outro grande custo para as locadoras é o alto preço dos automóveis. Os modelos populares (se é que podem ser chamados de populares), por exemplo, custavam quatro anos atrás em média, R$ 7,3 mil. Hoje, estão por volta dos R$ 11 mil. Na ponta do lápis é uma diferença de cerca de 40%. As locadoras absorveram este aumento e os preços dos aluguéis de carros não subiram na mesma proporção. Procuramos outras alternativas dentro dos custos operacionais e despesas administrativas.
Mas, enfim, a CPMF está aí e até parece pouco. Insignificantes 0,20%. Porém, para o atual padrão econômico do país, que com muito trabalho chegou a uma inflação anual de 10% com tendências de queda, esta alíquota é escorchante. Haverá aumento de custo na cadeia produtiva e, com isso, os preços estáveis podem se alterar também. Infelizmente, chegamos em um momento em que fica insuportável não mexer nos preços. Lamentavelmente, está é a realidade. E quem vai sentir o maior peso é o consumidor final de produtos e serviços.
Paradoxalmente às condições adversas, há de se atentar para o fato de que a indústria nacional tem melhorado, significativamente, no que tange a produtividade e qualidade. Prova disso é que centenas de empresas brasileiras já receberam o certificado ISO 9000. O empresariado está fazendo a sua parte. Ainda no exemplo das locadoras de carros, estas empresas já alcançaram maturidade e qualidade comparáveis ao primeiro mundo. Falta, agora, ter custos de primeiro mundo que refletirão positivamente para o consumidor.

mockup