CPIs em país de muita corrupção
As comissões parlamentares de inquérito, popularmente chamadas de CPIs, são necessárias como sentinelas da moralidade e instrumentos para os expurgos necessários à sanidade pública, mas no Brasil parece que elas ficam mais no campo dos interesses partidários e menos no dos resultados concretos e das punições quando for o caso. Agora mesmo o PSDB vale-se de uma declaração fora de tempo do presidente Lula e quer criar uma CPI para apurar sua denúncia de um caso de corrupção no governo de FHC. Passado tanto tempo por que o presidente não quis falar do assunto na ocasião oportuna (os primeiros dias de seu governo) e talvez tenha agido com acerto face à circunstância foi inoportuno falar disso agora, como também se sabe do oportunismo do PSDB em valer-se do episódio e desejar a CPI, para exigir provas, e assim colocar o governo sob acusação. A esta altura o fato denunciado por Lula e uma CPI parecem irrelevantes, considerando a enorme pauta de questões a discutir no Parlamento. Se o presidente da República levanta uma denúncia de corrupção do governo anterior, houve também no seu o caso Waldomiro Diniz (igualmente na mira do PSDB). São denúncias que precisam ser apuradas, mas geralmente esses inquéritos ficam só nisso (nas apurações) e caem no esquecimento. Também os parlamentares são ponto de fixação do povo quando estribando-se em argumentos de legalidade regimental aumentam ganhos e gastos, protelam discussões importantes e retardam as reformas, que se fazem urgentes. Isto é irresponsabilidade, parente próxima da corrupção. Se não se deve dispensar as CPIs, certo é que o Congresso Nacional perde muito tempo com elas, deixando relegadas matérias em pauta muito mais importantes. E em clima de inquérito a situação fica tensa no ambiente parlamentar, dificultando entendimentos para temas em discussão e de muito maior interesse nacional. As denúncias de corrupção na história política brasileira abarrotam as prateleiras dos tribunais, e inquéritos e processos é que não faltam neste país de tanto desmando nas administrações públicas. Sem desprezo do instituto da CPI, a Nação espera de seus representantes no Congresso que se debrucem sobre a urgência das grandes reformas, de modo a promover aberturas para o desenvolvimento socioeconômico e para o próprio saneamento das instituições públicas. Melhorar a qualidade do Congresso e do governo, por via de ações mais proveitosas, deve ser a preocupação maior, para que se instale a confiança dos brasileiros nos governantes, hoje tão desacreditados.





