CPI sobre vandalismo do MST
O requerimento que pede a criação de uma CPI mista (com deputados e senadores) para investigar repasses ilegais de dinheiro público para entidades ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) será lido na próxima quarta-feira, em sessão do Congresso. O presidente do Senado, José Sarney, fez essa concessão aos partidos de oposição que querem apurar a procedência do dinheiro, critérios de distribuição, enfim toda a maracutaia.
Mas que ninguém comemore. A CPI pode sair sim, mas os resultados todos sabem: será uma bela pizza, como todas as CPIs montadas até agora; sem exceção foram CPIs de brincadeirinha. O governo não tem oposição. Cada um faz tipo para a mídia ver. O fim justifica os meios. E os meios aqui são a garantia de exposição na mídia.
Por outro lado, a base do governo não tem pena e nem remorso. Além de bater muito na oposição - como fez em debates anteriores, ainda vai dar algum tipo de desculpa para os desvios de dinheiro. E a oposição? Bem a oposição vai falar, falar e falar até esgotar o tempo. Espera-se que, pelo menos, apareçam dados, que o rolo compressor tentará negar. É o máximo que se pode esperar. Tudo vai ficar por isso mesmo. É o Brasil sem oposição e sem poder de Justiça, porque o Judiciário estará sempre aguardando que alguém se pronuncie.
Pensando bem, é preciso ser mais otimista para não sofrer. O fato de haver uma CPI já é uma avanço. Neste governo é avanço. Afinal, na tentativa anterior a base aliada do governo matou a CPI no ninho. CPIs expressam democracia, chance de corrigir, e punir, se for o caso. Representam moralidade. Apurar os fatos é uma ação básica, elementar. Mas nem isso o governo Lula deixou fazer naquela oportunidade.
O leitor sabe porque não vai acontecer nada com o favorecimento do MST. Para começo de conversa, o governo deve ter maioria, podendo controlar os principais cargos da comissão, ocupando a presidência e relatoria.
Uma das linhas de investigação será em cima do Incra. A oposição suspeita que ao menos R$ 115 milhões tenham sido desviados por convênios com o governo. Resta saber se esse arremedo de contrato permeado por interesses políticos, e abrigando militâncias, vai passar incólume pelo Tribunal de Contas da União (TCU).





