CPI e a cobiça política nos Correios
Vem aí a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Ontem à noite, os partidos de oposição conseguiram número de assinaturas suficiente para investigar o escândalo denunciado pela revista ''Veja''. Ao contrário do que ocorreu com o caso Waldomiro Diniz em que aliados do governo abafaram a tentativa de formação de CPI , desta vez não houve dificuldade. Também não houve empenho do governo em ''blindar'' o acusado, um diretor de departamento dos Correios, diferentemente da postura do Planalto em relação a um caso igualmente grave, o do presidente do Banco Central. Para proteger Meirelles de uma tempestade de denúncias o governo conferiu-lhe estatus de ministro. Mas, ontem, o Planalto não teve força política para impedir que a oposição obtivesse as assinaturas necessárias para formar uma CPI. Os partidos de oposição entregaram requerimento com 230 assinaturas de deputados e 46 de senadores e anunciaram, no final da tarde a criação da CPI dos Correios na Câmara e no Senado. O ''escândalo do Correio'' veio a público porque a revista ''Veja'' do dia 18 de maio, contou como Maurício Marinho, chefe do Departamento de Contratações e Administração de Material, foi filmado e gravado ''embolsando'' um pacote de dinheiro dado por corruptores. Há um mês, segundo Veja, dois empresários estiveram no prédio central dos Correios, em Brasília, perguntando como deveriam proceder para entrar no seleto grupo de empresas que fornecem equipamentos de informática à estatal. A resposta foi obtida na sala de Maurício Marinho, que teria sido curto, grosso e direto: ''um acerto''. Os empresários filmaram tudo e Veja teve acesso a 1 hora e 54 minutos de conversa. ''Uma aula de corrupção''. Os empresários deram R$ 3 mil, que Marinho teria colocado no bolso. Era parte do suborno. É lamentável que isto tenha ocorrido no seio da instituição em quem os brasileiros mais confiam e que devem manter esse conceito, pela eficácia e elevado nível de profissionalismo dos seus funcionionários. Afinal, o episódio ocorre na cúpula e não deve afetar as atividades desempenhadas pela empresa. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é uma estatal gigante. Tem 12.523 agências (5.622 próprias e 6.901 terceirizadas) e está em todos os 5.563 municípios do País. Desde 2000 suas agências funcionam também como postos bancários em cidades pequenas, onde os bancos não chegam. O orçamento da empresa para este ano é de R$ 8,5 bilhões, menor apenas do que o dos Ministérios da Previdência, da Educação, da Saúde e da Defesa. Além do mais, a ECT é uma empresa com tecnologia de ponta, tida, conforme as pesquisas, como das instituições mais confiáveis do País e detém os direitos da grife ''Correios'', para a qual vende franquias. Tudo isso torna os Correios objeto da cobiça em todas as negociações de composição da base política de quem ocupa o Palácio do Planalto desde a redemocratização do País, em 1985.





